CPG
04/02/2026 17h20
O Brasil desperdiçou em 2025 uma fatia enorme de sua energia renovável, com cortes em usinas solares e eólicas que revelam falhas no sistema elétrico e riscos para o futuro.
A energia renovável nunca foi tão forte no Brasil. No entanto, um problema silencioso vem se espalhando pelo sistema elétrico.
Em 2025, cerca de 20% de toda a produção solar e eólica que poderia ter sido gerada simplesmente não foi aproveitada.
Ao invés de iluminar casas ou mover fábricas, essa energia foi cortada por decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O motivo é simples, mas alarmante. Em v&aac
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O Brasil desperdiçou em 2025 uma fatia enorme de sua energia renovável, com cortes em usinas solares e eólicas que revelam falhas no sistema elétrico e riscos para o futuro.
A energia renovável nunca foi tão forte no Brasil. No entanto, um problema silencioso vem se espalhando pelo sistema elétrico.
Em 2025, cerca de 20% de toda a produção solar e eólica que poderia ter sido gerada simplesmente não foi aproveitada.
Ao invés de iluminar casas ou mover fábricas, essa energia foi cortada por decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O motivo é simples, mas alarmante. Em vários momentos do dia, a oferta de energia renovável supera a demanda. Para evitar falhas e até apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) precisa mandar desligar usinas, mesmo que elas estejam prontas para produzir.
Brasil criará centro de energia renovável no oceano liderado pelo INPO para desenvolver tecnologias offshore, hidrogênio verde e pesquisa científica aplicada à transição energética sustentável. Assim, o país cria um paradoxo: produz muita energia limpa, mas não consegue usá-la toda.
Desperdício - Na prática, o volume de energia renovável desperdiçado em 2025 equivale à produção da usina de Belo Monte, a segunda maior hidrelétrica do país, por quase dez meses inteiros.
O número impressiona porque mostra que o problema não é pequeno. Pelo contrário, ele já alcançou uma escala nacional.
Segundo cálculos feitos a pedido da reportagem, essa eletricidade jogada fora seria suficiente para manter funcionando por um ano toda a frota de carros elétricos do Brasil, cerca de 600 mil veículos.
Além disso, o mesmo volume daria conta de abastecer aproximadamente 40 grandes data centers, estruturas que consomem enormes quantidades de energia todos os dias.
Finais de semana - Os momentos mais críticos acontecem quando o país consome menos. Nos fins de semana, muitas fábricas fecham e o comércio reduz o ritmo. Mesmo assim, o sol continua brilhando e os parques eólicos seguem girando.
Dados da consultoria Volt Robotics mostram que, em 16 dias de 2025, o sistema elétrico brasileiro operou perto do limite de segurança por excesso de oferta.
No ano anterior, apenas um dia tinha sido classificado como crítico.
A diferença entre os dias da semana também chama atenção. Nas segundas-feiras, o corte médio por excesso de energia foi de 1.040 MW.
Já aos domingos, o valor salta para 5.135 MW médios, um número que mostra o quanto a energia renovável acaba sendo desperdiçada quando a demanda cai.
Painéis solares em casas aceleram o problema - O avanço da chamada geração distribuída piora ainda mais o cenário.
São os painéis solares instalados em telhados de casas, comércios e pequenas empresas. Essa energia entra no sistema sem controle direto do ONS. Hoje, esse tipo de energia renovável já soma mais de 42 GW de capacidade instalada.
A projeção é que chegue a 50 GW até 2028.
Se isso se confirmar, quase um terço da matriz elétrica brasileira virá dessas fontes até 2029. Nesse cenário, até 96% dos cortes de geração podem estar ligados à sobreoferta.
Por isso, o Ministério de Minas e Energia já reconhece que o problema deixou de ser pontual. Segundo a pasta, estão em discussão mudanças técnicas, regulatórias e jurídicas para evitar que o crescimento das renováveis vire um risco ao sistema.
04 de fevereiro 2026
03 de fevereiro 2026
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