Assessoria de Imprensa
03/02/2026 17h08 | Atualizada em 04/02/2026 17h08
Com cerca de 7% da matriz elétrica nacional, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) representam uma fração do potencial hídrico brasileiro.
Em um cenário de transição energética, o setor se mobiliza para reposicionar a fonte como um pilar de estabilidade para o sistema. A nona edição da conferência anual da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (AbraPCH), em Foz do Iguaçu (PR), serve de palco para o debate sobre os gargalos e o futuro da geração hidrelétrica de pequeno porte.
Alessandra Torres, presidente da AbraPCH e uma das fundadoras da as
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Com cerca de 7% da matriz elétrica nacional, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) representam uma fração do potencial hídrico brasileiro.
Em um cenário de transição energética, o setor se mobiliza para reposicionar a fonte como um pilar de estabilidade para o sistema. A nona edição da conferência anual da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (AbraPCH), em Foz do Iguaçu (PR), serve de palco para o debate sobre os gargalos e o futuro da geração hidrelétrica de pequeno porte.
Alessandra Torres, presidente da AbraPCH e uma das fundadoras da associação, afirma que a conscientização sobre o papel da fonte avança, mas a comunicação do setor elétrico com a sociedade permanece como um desafio.
"Hoje, parlamentares conhecem o que é uma PCH, e uma parcela maior da sociedade sabe qual o papel dessa fonte. Não é só uma vontade do setor produtivo, hoje é uma necessidade do sistema", diz.
Com 25 anos de experiência dedicada ao setor, Torres aponta que a PCH é a única fonte renovável que entrega energia firme, com geração contínua 24 horas por dia, sete dias por semana. Esse atributo, segundo ela, não recebe a devida remuneração no modelo atual.
"As hidrelétricas não foram construídas nem dimensionadas para cobrir intermitência; elas foram construídas para fazer sazonalidades entre bacias", explica.
Ela detalha o que ocorre no sistema diariamente. "Quando chega 4 ou 5 da tarde, 40 GW de energia solar caem a zero. As hidrelétricas são chamadas a fazer essa rampa para manter o sistema de pé, e elas não são remuneradas para fazer isso", afirma. Para Torres, a rápida expansão das fontes eólica e solar não teve o acompanhamento do planejamento do sistema, o que gera o atual descasamento.
Obstáculos à expansão - Torres identifica três grandes gargalos para o crescimento das pequenas hidrelétricas no país. O primeiro é o licenciamento ambiental. Por se tratar de um bem da União, a água está submetida a uma legislação complexa que envolve múltiplas obrigações.
"Nós defendemos que mesmo as pequenas [hidrelétricas] têm que ser um plano de governo, porque você lida com um bem que reverte para a União a cada 35 anos", pontua.
O segundo obstáculo é o escoamento da energia. A ocupação de pontos de conexão nas redes de distribuição por usinas solares, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste, dificulta a viabilização de novos projetos hidrelétricos. "Não é uma crítica contra a fonte, é uma questão de planejamento", ressalta.
O terceiro gargalo é o financiamento. Torres menciona que as PCHs enfrentam mais dificuldades para acessar linhas de crédito em comparação com as fontes eólica e solar. Ela cita como exemplo a retirada das PCHs do Fundo do Clima do BNDES.
Comparativo internacional e potencial desperdiçado - Ao comparar o Brasil com outras localidades, a presidente destaca a subutilização do recurso hídrico nacional.
“A China tem mais de 47 mil reservatórios de água, dos quais aproximadamente 23 mil servem à geração de energia. A Áustria, um país do tamanho do Paraná, tem mais de 5 mil usinas”, pontua.
Em contraste, ela ressalta que o Brasil - um país continental com a maior porção de água doce do mundo - possui pouco mais de 1.500 hidrelétricas de todos os portes.
Segundo a executiva, esse número permanece “muito aquém” do potencial, o que desperdiça inúmeros benefícios.
Para ela, o país se especializa em desperdiçar seu potencial.
"Nós viramos especialistas em adoçar o mar", diz. Torres defende a construção de novos reservatórios estratégicos, argumentando que eles são fundamentais para regularizar a vazão dos rios, amortecer o impacto de chuvas extremas e garantir o abastecimento durante estiagens prolongadas.
Ela posiciona as PCHs não como concorrentes, mas como complementares às fontes intermitentes.
"As PCHs podem e devem ser o pulmão firme da geração distribuída solar, a bateria dessas fontes", argumenta. A solução, segundo ela, passa pela construção de um planejamento que integre as fontes de forma híbrida, com as hidrelétricas fornecendo a base firme para a geração variável de sol e vento.
04 de fevereiro 2026
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