Assessoria de Imprensa
08/07/2026 15h34 | Atualizada em 08/07/2026 15h51
A comercialização de cimento no Brasil acumulou alta de 2,3% no 1º semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 32,9 milhões de toneladas.
Apenas no mês de junho, foram vendidas 5,8 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 7,7% frente a 2025, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Na análise do despacho por dia útil (253,6 mil toneladas), o aumento foi de 3% sobre junho do ano passado, com retração de 0,1% em relação a maio.
Segundo o SNIC, o desempenho positivo foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, com o desemprego fec
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A comercialização de cimento no Brasil acumulou alta de 2,3% no 1º semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 32,9 milhões de toneladas.
Apenas no mês de junho, foram vendidas 5,8 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 7,7% frente a 2025, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
Na análise do despacho por dia útil (253,6 mil toneladas), o aumento foi de 3% sobre junho do ano passado, com retração de 0,1% em relação a maio.
Segundo o SNIC, o desempenho positivo foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, com o desemprego fechando o trimestre até maio em 5,6% — menor taxa para o período desde 2012 — e a população ocupada atingindo a marca histórica de 102,7 milhões de pessoas, o que sustentou a massa salarial em nível elevado.
No mercado imobiliário, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue como principal indutor de vendas, representando 50% dos lançamentos imobiliários no 1° trimestre do ano e registrando alta de 10% nas vendas.
A entrada da classe média no programa (Faixa 4), a partir de abril, junto à revisão da meta governamental para 3 milhões de moradias até o final de 2026, têm potencial para gerar um incremento de 5 milhões de toneladas no consumo de cimento.
Paralelamente, a infraestrutura tem aberto novas perspectivas de demanda com a aceleração de projetos rodoviários em pavimento rígido de concreto (whitetopping).
Para o sindicato, a tecnologia se consolida como uma solução mais econômica, “durável e alinhada às novas diretrizes de redução de emissões do Ministério dos Transportes”.
Apesar dos avanços, o setor enfrenta forte escalada nos custos operacionais.
No mercado externo, o frete marítimo e o coque de petróleo sofreram aumentos na ordem de 30% em 2026.
Internamente, a alta do diesel onerou o frete rodoviário em 25%, e estima-se que uma eventual alteração da jornada de trabalho possa incrementar os custos trabalhistas em cerca de 15%.
O cenário de crédito e renda também acende alertas.
A estimativa de que a taxa Selic encerre o ano em 14%, diminuindo o ritmo dos cortes, encarece o financiamento habitacional e amplia a concorrência dos ativos financeiros frente aos imobiliários.
Soma-se a isso o impacto no orçamento familiar gerado pelo avanço das plataformas de apostas online ("bets"), que subtraíram R$ 143,8 bilhões do comércio nos últimos dois anos e colocaram 269 mil famílias na inadimplência, competindo diretamente com os recursos antes destinados à autoconstrução e reformas.
A indústria de cimento vem alertando quanto ao agravamento do endividamento e da inadimplência alavancado pelas apostas on-line há mais de dois anos, sem a correspondente ação governamental que coíba essa prática.
O setor também vê com preocupação o desvio do FGTS de sua finalidade essencial (financiar imóveis) para a quitação de dívidas em programas como o "Novo Desenrola".
Diante desse panorama, as expectativas encerraram o semestre com sinais mistos.
A confiança do consumidor manteve-se estável, amparada pelo emprego e por renegociações de dívidas, enquanto a confiança da indústria avançou, refletindo a atenuação de conflitos no Oriente Médio e a acomodação internacional do petróleo.
Em contrapartida, a construção civil registrou pessimismo, pressionada por custos, desaceleração da atividade e severa escassez de mão de obra qualificada.
Na agenda ambiental, as iniciativas de transição energética e descarbonização seguem avançando de forma consistente.
O coprocessamento, tecnologia implementada pela indústria do cimento, envolvendo desde biomassas, resíduos industriais e Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU), já alcança cerca de 30% de substituição térmica com a utilização de 3 milhões de toneladas de resíduos.
Isso corresponde a uma vez e meia o descarte anual de uma cidade como o Rio de Janeiro, evitando, adicionalmente, toda a emissão de cerca de 2,8 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera.
“O setor encerra o primeiro semestre com um desempenho positivo”, comenta José Eduardo Ramos, presidente da Cimento Nacional e do Conselho Diretor do SNIC/ABCP.
“Contudo, o cenário econômico exige cautela: o avanço da inflação, a elevação das projeções da taxa de juros e o endividamento recorde da população continuam restringindo severamente a capacidade de crédito e o consumo das famílias”, destaca Ramos, apontando ainda que o setor mantém a perspectiva de fechar o ano com aumento próximo a 2%.

07 de julho 2026
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