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Construtoras ainda perdem até 5% do VGV no pós-obra, apontam dados da CBIC

Dados mostram que a fase após a entrega do imóvel concentra perdas silenciosas que poderiam ser evitadas com tecnologia já disponível

Assessoria de Imprensa

29/05/2026 11h39 | Atualizada em 29/05/2026 11h49


Quando uma construtora entrega um empreendimento, o trabalho não termina, pois começa uma nova fase de custos que a maioria das empresas ainda não aprendeu a gerenciar com inteligência.

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o pós-obra pode consumir até 5% do Valor Geral de Vendas de um empreendimento em custos operacionais, entre manutenções, garantias acionadas, retrabalhos e chamados não resolvidos.

Para um empreendimento de R$ 50 milhões, isso representa até R$ 2,5 milhões em perdas evitáveis.

Para o engenheiro civil Jean Sacenti, CEO da Predialize, o prob

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Quando uma construtora entrega um empreendimento, o trabalho não termina, pois começa uma nova fase de custos que a maioria das empresas ainda não aprendeu a gerenciar com inteligência.

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o pós-obra pode consumir até 5% do Valor Geral de Vendas de um empreendimento em custos operacionais, entre manutenções, garantias acionadas, retrabalhos e chamados não resolvidos.

Para um empreendimento de R$ 50 milhões, isso representa até R$ 2,5 milhões em perdas evitáveis.

Para o engenheiro civil Jean Sacenti, CEO da Predialize, o problema tem raiz em uma lacuna no ciclo de gestão da construção.

"O setor evoluiu muito em planejamento e execução, mas o pós-obra continua sendo tratado como consequência, não como fonte de inteligência”, avalia.

“É o 'Check' do PDCA que a maioria das construtoras simplesmente não executa", afirma Sacenti, referindo-se à metodologia PDCA, que estrutura a melhoria contínua nas etapas Plan, Do, Check e Act (planejar, executar, verificar e agir).

Na construção civil, as fases de planejamento e execução receberam investimento crescente em tecnologia.

A verificação, no entanto, quase nunca é feita com dados estruturados.

“Sem ela, os aprendizados de um empreendimento não alimentam o próximo”, diz.

É exatamente aí que a integração entre BIM e inteligência artificial pode mudar o jogo.

O BIM estrutura o conhecimento técnico de cada obra, incluindo o que foi especificado, o motivo, os sistemas construtivos adotados e os prazos de garantia de cada componente.

O pós-obra coleta os dados operacionais reais, mensurando o que funcionou, o que falhou e quais foram as causas.

A inteligência artificial cruza essas informações e identifica padrões invisíveis à análise humana.

"Se um sistema construtivo falha consistentemente em clima tropical, a próxima especificação já nasce corrigida", explica Sacenti.

Padrões de falha que se repetem em vários empreendimentos são detectados automaticamente e nunca mais ocorrem, ele garante.

“Isso é melhoria contínua de verdade, não teoria de gestão, mas engenharia orientada por dados", destaca.

Momento regulatório reforça a urgência

O Decreto 11.888/2024 estabeleceu a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM e a nova lei de licitações públicas tornou sua adoção preferencial em obras de engenharia.

De acordo com Sacenti, o movimento está pressionando o mercado privado a adotar a tecnologia.

"A IA não substitui os engenheiros, mas os libera da análise demorada e repetitiva para fazer o que só humanos fazem bem: criar, decidir e imaginar melhores soluções”, comenta.

“O resultado é uma operação mais eficiente, com menos passivo jurídico e capacidade real de aprender com cada obra entregue", arremata o engenheiro.

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