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DESCARBONIZAÇÃO
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O desafio invisível por trás das emissões de carbono

Demanda global por concreto pode chegar a 20 bilhões de m³ em 2050, enquanto indústria tem como meta alcançar emissões líquidas zero no período

Assessoria de Imprensa

17/09/2026 00h01


Mesmo que uma fábrica de cimento utilizasse somente energia de fontes renováveis, grande parte de suas emissões de CO₂ continuaria existindo.

Isso acontece porque o carbono não vem apenas da energia consumida, mas da própria química do processo de produção.

A jornada do cimento até o canteiro de obras começa na transformação do clínquer, seu principal componente.

O processo de produção de clínquer exige que a rocha calcária, principal matéria prima, seja processada em um gradiente térmico severo, atingindo cerca de 1.450°C.

Durante essa transição se

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Mesmo que uma fábrica de cimento utilizasse somente energia de fontes renováveis, grande parte de suas emissões de CO₂ continuaria existindo.

Isso acontece porque o carbono não vem apenas da energia consumida, mas da própria química do processo de produção.

A jornada do cimento até o canteiro de obras começa na transformação do clínquer, seu principal componente.

O processo de produção de clínquer exige que a rocha calcária, principal matéria prima, seja processada em um gradiente térmico severo, atingindo cerca de 1.450°C.

Durante essa transição se desencadeiam as reações de calcinação e clinquerização, que inevitavelmente liberam dióxido de carbono na atmosfera.

A magnitude desse impacto é o que dita os rumos da engenharia moderna.

De acordo com a Global Cement and Concrete Association (GCCA), essas emissões de processo respondem por cerca de 60% do total associado à fabricação do cimento.

“Por isso, substituir combustíveis fósseis ou utilizar energia renovável é importante, mas não resolve sozinho o problema”, diz a engenheira Viviani Meneghin Magalhães, que atua há mais de 20 anos na indústria cimenteira.

“Parte significativa das emissões está diretamente ligada à transformação da matéria-prima”, explica.

A complexidade aumenta diante da importância do concreto para a sociedade.

Material mais utilizado no mundo, o concreto soma aproximadamente 14 bilhões de m³ produzidos por ano e está presente em casas, hospitais, estradas, pontes, sistemas de saneamento e obras de infraestrutura.

“Não se trata simplesmente de deixar de produzir, mas de encontrar maneiras de atender às necessidades de habitação, urbanização e infraestrutura com um impacto ambiental cada vez menor”, afirma Viviani.

Segundo a especialista, a descarbonização do setor dependerá da combinação de diferentes estratégias, incluindo reduzir o fator clínquer, com a diminuição da proporção de clínquer no cimento e substituição parcial por outros materiais cimentícios, como pozolanas, escórias, filler calcários.

“É uma das principais formas de reduzir as emissões sem comprometer o desempenho do produto”, diz nota a pesquisadora, que recomenda ainda ampliar o uso de matérias-primas alternativas, tornar os processos mais eficientes, capturar o carbono e considerar todo o ciclo de vida da construção.

“Assim, se contribui para produção de cimentos com menor pegada de carbono”, avalia.

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