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Falta de mão de obra qualificada desafia a durabilidade das edificações

82,4% das empresas da construção relatam dificuldades para contratar profissionais, cenário que pode comprometer a execução e a vida útil das obras

Assessoria de Imprensa

06/11/2026 07h40


A falta de mão de obra qualificada é um dos desafios da construção civil e pode ter reflexos diretos na durabilidade das edificações. A pressão por prazos menores, somada à dificuldade de formar novas equipes, reduz as oportunidades de capacitação prática nos canteiros de obras.

O resultado pode aparecer na forma de falhas de execução e manifestações patológicas que comprometem o desempenho dos sistemas construtivos ao longo do tempo.

O cenário é evidenciado por um levantamento da FGV IBRE, de 2024, segundo o qual 82,4% das empresas da construção enfrentam dificuldades para contra

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A falta de mão de obra qualificada é um dos desafios da construção civil e pode ter reflexos diretos na durabilidade das edificações. A pressão por prazos menores, somada à dificuldade de formar novas equipes, reduz as oportunidades de capacitação prática nos canteiros de obras.

O resultado pode aparecer na forma de falhas de execução e manifestações patológicas que comprometem o desempenho dos sistemas construtivos ao longo do tempo.

O cenário é evidenciado por um levantamento da FGV IBRE, de 2024, segundo o qual 82,4% das empresas da construção enfrentam dificuldades para contratar profissionais.

Para Ricardo Faria, gerente técnico do Grupo Soprema, esse desafio se soma à redução do tempo disponível para preparar as equipes nos canteiros. Historicamente, cronogramas mais longos permitiam que mestres de obras, engenheiros e tecnólogos orientassem os trabalhadores durante a execução. Com a aceleração das obras, porém, a capacitação passou a disputar espaço com a necessidade de cumprir os prazos.

“A exigência do mercado por rentabilidade mais rápida faz com que muitas vezes não haja tempo suficiente para capacitar a mão de obra durante a execução. Sem o preparo prático e teórico adequado, aumentam os riscos de erros que podem comprometer a durabilidade e a vida útil da edificação”, afirma Faria.

Falhas de execução - Os problemas podem surgir em diferentes etapas e sistemas da construção, desde instalações hidráulicas e elétricas até estruturas, alvenaria, impermeabilização e paisagismo.

Além da falta de conhecimento sobre os procedimentos, incompatibilidades entre projetos também podem levar a decisões improvisadas no canteiro, com consequências para o desempenho da edificação.

Na impermeabilização, o cumprimento das orientações de projeto e das instruções técnicas dos fabricantes é fundamental para o resultado. Entre os cuidados necessários estão o preparo adequado da base e da superfície, o respeito aos intervalos entre as etapas de aplicação, a execução dos reforços previstos e a realização dos testes e das proteções exigidos para cada sistema.

“Não basta escolher um produto adequado. É preciso garantir que ele seja aplicado corretamente, respeitando as condições previstas em projeto e as orientações do fabricante. Falhas no preparo da superfície, na manipulação dos materiais ou na sequência de aplicação podem comprometer o desempenho esperado”, explica o gerente técnico.

Capacitação - Diante da escassez de profissionais, a racionalização e a industrialização dos processos construtivos aparecem como caminhos para reduzir a dependência de determinadas atividades executadas de forma artesanal.

O uso de componentes pré-fabricados e de sistemas com estruturas metálicas ou de madeira e painéis pode diminuir o volume de operações realizadas no canteiro e acelerar algumas etapas da obra. Essas soluções, porém, também exigem conhecimento técnico específico.

Para o executivo, a mudança precisa ser acompanhada de investimentos na formação profissional. Cursos técnicos, especializações e treinamentos oferecidos por fabricantes podem contribuir para preparar equipes para os novos sistemas construtivos. Ele também aponta a necessidade de uma atuação mais ampla, com participação de empresas, associações do setor e instituições de formação.

“Já existem iniciativas de capacitação promovidas por fabricantes e associações, mas precisamos avançar para um programa mais abrangente, com formação operacional e participação dos setores público e privado. A qualificação precisa preparar os profissionais para as situações reais que encontram nas obras”, conclui Faria.

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