O Globo
25/02/2026 10h43 | Atualizada em 25/02/2026 14h13
O arquiteto Zé Vágner vence o prêmio Building of The Year 2026, da ArchDaily, na categoria Casas. A residência premiada, localizada em Feira Nova, no interior de Pernambuco, é da mãe do arquiteto e foi construída por moradores locais na década de 1980 e reformada no ano passado.
Para o arquiteto, o fato de uma casa da região interiorana de Pernambuco, com cerca de 20 mil habitantes, ter sido premiada “foi de arrepiar”. Ele avalia que a repercussão pode provocar algumas reflexões sobre construções pelo Brasil. Embora destaque as riquezas do estado em que mora, afirma que há uma padronização arquitetônic
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O arquiteto Zé Vágner vence o prêmio Building of The Year 2026, da ArchDaily, na categoria Casas. A residência premiada, localizada em Feira Nova, no interior de Pernambuco, é da mãe do arquiteto e foi construída por moradores locais na década de 1980 e reformada no ano passado.
Para o arquiteto, o fato de uma casa da região interiorana de Pernambuco, com cerca de 20 mil habitantes, ter sido premiada “foi de arrepiar”. Ele avalia que a repercussão pode provocar algumas reflexões sobre construções pelo Brasil. Embora destaque as riquezas do estado em que mora, afirma que há uma padronização arquitetônica no país inteiro.
"A arquitetura é a mesma que estão fazendo lá no Sul, do Oiapoque ao Chuí é a mesma arquitetura. Arquitetura boa é quando você faz algo diferente mas com coisas daqui, pensando no clima daqui" defende Vágner.
Típica casa latina - "Quando você olha a casa de mainha você não vê características comumente das obras que são publicadas lá [no site do prêmio], então era algo muito distante", explicou o arquiteto, e continuou - "o que a gente fez aqui foi coisa do interior, utilizamos material do interior, usamos mão de obra da minha rua, utilizamos tudo que tinha mais perto por questão de custo e de necessidade mesmo", disse Vágner.
Segundo ele, a casa precisa “funcionar para quem mora nela”. Inclusive, a necessidade da reforma surgiu por uma questão de saúde respiratória da mãe, dona Marinalva, de 59 anos, que trabalha como costureira. A construção, para o ganhador do prêmio, tinha muitas “patologias”.
"Era aquela típica casa latina que você constrói um cômodo, ganha um dinheiro e constrói outro. Então eram vários cômodos adjacentes pequenos que não se comunicavam. A gente uniu tudo. A ideia foi melhorar a saúde da casa basicamente de forma a entender o conforto ambiental como um pilar. A gente trouxe ventilação, iluminação e qualidade para o espaço", destacou.
Foram reformadas a fachada e as áreas sociais e preservadas as paredes originais de adobe (tijolos de terra crua, água e fibras naturais), que auxilia o conforto térmico da casa.
A principal intervenção foi no aumento do pé-direito em uma parte da construção, tornando as duas inclinações do telhado desiguais, o que facilitou a ventilação da fachada voltada para oeste por meio de uma linha de cobogós, que são blocos vazados que podem ser feitos de diversos materiais.
Aqueles cômodos que foram construídos com o tempo foram demolidos para dar lugar a uma sala de estar, um jardim interno e um terraço aberto. As portas de entrada também foram restauradas.
Zé Vágner é nascido e criado na casa premiada e foi para Recife estudar arquitetura na UFPE. Escolheu o curso porque sempre gostou de criar e inventar. Ele contou que voltou para cidade natal com a expectativa de fazer a reforma a partir dos aprendizados da graduação.
"Era pegar o que a gente tinha, otimizar o espaço e aplicar o conceito de conforto ambiental, conceito de ventilação cruzada para melhorar iluminação e a salubridade do espaço", concluiu.
25 de fevereiro 2026
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