Redação
23/02/2026 16h03 | Atualizada em 25/02/2026 14h01
Por Geraldo Netto*
Atualmente, a construção civil busca reduzir os efeitos negativos ao meio ambiente gerados pela atividade por meio da engenharia sustentável.
Um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos indica que ambos os países avançam na área, mas apresentam níveis diferentes de maturidade normativa, acesso tecnológico e incentivos financeiros.
Nos Estados Unidos, a abordagem de sustentabilidade na construção civil baseia-se em um sistema de normas e certificações que orientam as decisões desde a concepção até a operação dos edifícios.
...

Por Geraldo Netto*
Atualmente, a construção civil busca reduzir os efeitos negativos ao meio ambiente gerados pela atividade por meio da engenharia sustentável.
Um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos indica que ambos os países avançam na área, mas apresentam níveis diferentes de maturidade normativa, acesso tecnológico e incentivos financeiros.
Nos Estados Unidos, a abordagem de sustentabilidade na construção civil baseia-se em um sistema de normas e certificações que orientam as decisões desde a concepção até a operação dos edifícios.
A certificação LEED ( (Leadership in Energy and Environmental Design) é a principal referência, avaliando a eficiência energética e o uso de materiais.
O país também utiliza o International Green Construction Code (IGCC), que estabelece parâmetros obrigatórios para projetos.
O setor norte-americano investe, por exemplo, em tecnologias como edifícios inteligentes (smart buildings), que utilizam sensores e Internet das Coisas (IoT) para monitorar o consumo de energia e água em tempo real.
Outras soluções incluem o uso de energia geotérmica para climatização e painéis solares integrados à arquitetura.
Incentivos fiscais federais e estaduais facilitam a adoção dessas práticas por empresas e consumidores.
Já no Brasil, a construção sustentável ocorre de forma gradual, orientada pela Política Nacional do Meio Ambiente e por resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
O mercado adota certificações como o selo AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental – Haute Qualité Environnementale) e a versão nacional do LEED.
A estratégia brasileira destaca-se pelo uso de materiais com baixo impacto ambiental.
Nesse sentido, o uso de madeira de reflorestamento e tijolos ecológicos (solo-cimento), que dispensam a queima em fornos, reduz a emissão de gases.
O país também reaproveita resíduos de concreto e cerâmica em práticas de economia circular.
No setor público, existem programas de incentivo para a instalação de painéis fotovoltaicos em escolas e hospitais.
Diferenças e desafios – A comparação revela que os Estados Unidos possuem maior investimento em pesquisa e automação.
No mercado brasileiro, o acesso a tecnologias de ponta é limitado pelo custo de importação e pela escassez de linhas de financiamento.
A cultura empresarial também distingue os dois países: enquanto empresas norte-americanas utilizam a sustentabilidade como estratégia de marketing e valorização de marca, no Brasil a prática ainda é vista como um custo adicional.
No entanto, ambas as nações enfrentam a necessidade de capacitação profissional.
No Brasil, a formação técnica em sustentabilidade é incipiente. Nos Estados Unidos, a evolução rápida das tecnologias exige atualização constante dos profissionais.
Tendências – Todavia, há tendências comuns aos dois mercados, como a construção modular, que reduz o desperdício ao fabricar componentes em ambientes controlados para montagem posterior.
Além disso, a impressão 3D em larga escala surge como opção para criar estruturas com materiais recicláveis.
Na área de materiais, pesquisadores desenvolvem compostos autoconsertáveis, capazes de regenerar fissuras sem intervenção humana, o que aumenta a durabilidade das edificações.
O uso de sensores conectados para automação predial verde também cresce nos dois países, visando otimizar o conforto térmico e reduzir gastos operacionais.
A integração de práticas entre Brasil e Estados Unidos, por meio de parcerias entre universidades e empresas, é apontada como estratégia para adaptar tecnologias globais às realidades locais.
Em ambos os casos, a sustentabilidade é considerada um critério indispensável de viabilidade técnica e ética para projetos de infraestrutura, uma ferramenta de um futuro equilibrado entre desenvolvimento e preservação na construção.
O engenheiro civil do século XXI deve ser tanto um executor técnico quanto um agente de transformação, capaz de integrar inovação, responsabilidade social e compromisso ambiental em sua prática cotidiana.
Essa visão sistêmica e ética é o alicerce necessário para uma construção verdadeiramente sustentável em qualquer lugar do mundo.
*Geraldo Netto é engenheiro civil com 15 anos de experiência em obras industriais e edificações verticais de alto padrão
25 de fevereiro 2026
25 de fevereiro 2026
Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade