Assessoria de Imprensa
26/08/2026 08h00
A discussão sobre produtividade industrial costuma começar pela velocidade das máquinas, pelo volume produzido e pela automação das linhas.
Mas uma variável cada vez mais importante está ganhando espaço nessa equação: quanta energia é necessária para produzir cada unidade que sai da fábrica.
O tema ganhou força em agosto. A Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 5 de agosto de 2026 com mais de 1,4 mil empresas, mostrou que 67% das indústrias afirmam que o aumento do custo da energia elétrica impactou seus custos de produção.
Para 83%
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A discussão sobre produtividade industrial costuma começar pela velocidade das máquinas, pelo volume produzido e pela automação das linhas.
Mas uma variável cada vez mais importante está ganhando espaço nessa equação: quanta energia é necessária para produzir cada unidade que sai da fábrica.
O tema ganhou força em agosto. A Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 5 de agosto de 2026 com mais de 1,4 mil empresas, mostrou que 67% das indústrias afirmam que o aumento do custo da energia elétrica impactou seus custos de produção.
Para 83% dos empresários ouvidos, a conta de luz é importante para a competitividade, enquanto 79% apontam a eletricidade como principal insumo energético de seus processos produtivos.
A pressão ocorre em um cenário no qual o consumo de energia segue avançando. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo final de energia da indústria brasileira cresceu 1% em 2025.
No conjunto da economia, o consumo final de eletricidade aumentou 2,7%, e indústria, residências e comércio permanecem entre os principais consumidores.
A resposta das empresas, porém, ainda está muito concentrada no preço contratado da energia.
Na pesquisa da CNI, 41% das indústrias informaram ter migrado para o mercado livre desde 2024, e 73% das que fizeram a mudança perceberam redução dos custos com tarifas.
Já investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram citados como alternativa por 13% das empresas pesquisadas.
É justamente aí que surge uma segunda frente de competitividade: não apenas pagar menos pelo mega watt-hora, mas descobrir onde e por que ele está sendo desperdiçado dentro da fábrica.
Com sensores conectados às máquinas, sistemas de IoT e integração entre dados de produção e consumo energético, uma indústria pode acompanhar quanto cada equipamento, linha, turno ou lote consome.
O cruzamento dessas informações permite investigar situações como equipamentos operando sem produzir, picos de demanda, motores trabalhando fora da condição ideal, sistemas de ar comprimido ineficientes e processos semelhantes apresentando consumos muito diferentes.
A lógica está alinhada aos sistemas modernos de gestão de energia, que utilizam medição, dados e acompanhamento contínuo para orientar decisões de eficiência.
O impacto pode ir diretamente para a margem. Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) de 2025 estima que empresas que desenvolvem uma cultura estruturada de gestão de energia podem encontrar, nos primeiros anos, economias médias de 5% a 11% na indústria pesada e de 10% a 18% na indústria leve.
Em setores intensivos em energia e com margens menores, como aço, materiais de construção e papel e celulose, uma economia de 10% em energia pode representar efeito sobre o lucro equivalente ao obtido com um aumento de 4% a 16% nas vendas.
Para a Solversys, o ponto central é transformar energia em uma variável operacional, e não apenas financeira.
"A empresa normalmente sabe quanto pagou de energia no mês. O próximo nível é saber quanto de energia foi necessário para produzir cada tonelada, peça ou lote e identificar quando esse indicador sai do padrão. Quando dados de produção, equipamentos e consumo estão conectados, o desperdício deixa de aparecer apenas na conta e passa a ser localizado dentro do processo", explica Marcel Farto, diretor comercial e sócio da Solversys.
Essa visão também muda o papel da automação. O objetivo deixa de ser somente produzir mais rápido e passa a incluir produzir mais com os mesmos recursos.
A própria IEA aponta que avanços em digitalização e inteligência artificial podem ampliar os benefícios da gestão energética industrial, acelerando a identificação e a implementação de ganhos de eficiência.
Em outro estudo, a agência estima que a adoção ampla de aplicações de IA já existentes para otimização de processos poderia reduzir em cerca de 8% o consumo de energia da indústria leve até 2035.
No fim, a pergunta deixa de ser apenas quanto a fábrica produz. Para empresas pressionadas por custos e margens, passa a importar também quanta energia foi consumida para produzir esse resultado e quanto desse gasto poderia ter sido evitado.
24 de agosto 2026
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