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Gestão de resíduos ganha espaço nas decisões de custo e eficiência das empresas

Com indústrias obrigadas a reportar dados sobre geração, armazenamento e destinação de resíduos, consolidação de informações de múltiplas plantas começa a ganhar espaço nas decisões de negócio

Assessoria de Imprensa

26/08/2026 07h30 | Atualizada em 27/08/2026 08h16


Para as indústrias brasileiras, controlar resíduos deixou de ser apenas uma questão de destinação correta.

Além de registrar a movimentação por meio do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), as empresas precisam informar anualmente dados sobre geração, tipologia, armazenamento e destinação no Inventário Nacional de Resíduos Sólidos.

Na prática, quanto maior a operação, maior também é o volume de informações que precisa ser organizado, cruzado e transformado em indicadores para a gestão.

O desafio se torna especialmente complexo em companhi

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Para as indústrias brasileiras, controlar resíduos deixou de ser apenas uma questão de destinação correta.

Além de registrar a movimentação por meio do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), as empresas precisam informar anualmente dados sobre geração, tipologia, armazenamento e destinação no Inventário Nacional de Resíduos Sólidos.

Na prática, quanto maior a operação, maior também é o volume de informações que precisa ser organizado, cruzado e transformado em indicadores para a gestão.

O desafio se torna especialmente complexo em companhias que administram múltiplas plantas industriais.

Uma unidade pode trabalhar com uma planilha, outra utilizar um sistema diferente e uma terceira concentrar documentos em pastas compartilhadas.

Financeiro, sustentabilidade, operações e equipes ambientais passam a controlar partes diferentes da mesma operação, enquanto a diretoria precisa de uma visão única para responder quanto cada fábrica gera, quanto paga pela destinação e onde existem oportunidades de redução de custos.

É nesse ponto que a gestão de resíduos começa a deixar de ser tratada apenas como uma obrigação ambiental e passa a entrar na agenda de eficiência operacional.

O problema não está necessariamente na falta de informação, mas na dificuldade de transformar documentos e registros dispersos em um dado consolidado de resíduos multiunidade, capaz de mostrar diferenças de custo, desempenho e destinação entre as operações.

“Quando uma empresa cresce, ela não aumenta apenas o volume de resíduos. Aumenta também a quantidade de informação que precisa controlar. Cada fábrica pode ter fornecedores, transportadores, tipos de resíduos e processos diferentes. Se esses dados ficam separados, a empresa passa a gastar energia tentando descobrir o que aconteceu, quando poderia estar usando essa informação para decidir o que fazer”, afirma Eduardo Nascimento, CEO da Minha Coleta.

O custo de cada fábrica - Em uma operação distribuída, diferentes áreas costumam enxergar apenas uma parte da cadeia.

O financeiro acompanha pagamentos, o departamento ambiental controla documentos regulatórios, sustentabilidade consolida indicadores e operações monitora fornecedores, transportadores e destinadores.

O problema aparece quando essas informações precisam ser cruzadas. Uma empresa pode saber quanto cada unidade gera individualmente, mas não conseguir comparar rapidamente o custo por tonelada entre as fábricas.

Também pode ter os MTRs registrados e, ainda assim, encontrar dificuldade para relacioná-los aos respectivos Certificados de Destinação Final (CDFs).

A consequência é um processo de gestão que depende de levantamentos manuais para responder perguntas que deveriam estar disponíveis rapidamente para a liderança: qual unidade gera mais resíduos? Qual tem o maior custo de destinação? Qual fornecedor concentra mais ocorrências? Onde a taxa de reciclagem está evoluindo? Quanto a companhia destinou no último trimestre?

“Cada informação, isoladamente, parece suficiente. O problema aparece quando a diretoria faz uma pergunta que atravessa várias áreas”, diz Nascimento.

O retrabalho também cria um custo que raramente aparece como uma linha específica no orçamento. Horas de equipes ambientais em auditorias, solicitações de dados entre fábricas, consolidação de planilhas e conferência de documentos fazem parte da operação, mas dificilmente são contabilizadas como um impacto direto da fragmentação dos dados.

Compliance vira ponto de partida para eficiência - A pressão regulatória ajuda a explicar por que esse volume de informação precisa estar cada vez mais organizado.

O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) estabelece que as indústrias devem reportar anualmente informações sobre os resíduos gerados, armazenados e destinados, complementando os dados já declarados no sistema de MTR.

Com isso, o documento que antes era tratado apenas como comprovação de uma obrigação passa a fazer parte de uma base maior de informações sobre a operação.

A questão deixa de ser somente onde está o MTR ou o CDF e passa a envolver a capacidade da empresa de relacionar esses documentos a volume, custo, unidade, transportador e destinador.

A mudança é particularmente relevante para empresas que fazem gestão de resíduos em múltiplas plantas industriais. Sem uma estrutura comum, cada unidade pode desenvolver seus próprios processos e indicadores, dificultando a comparação entre operações e a identificação de desvios.

“Existe uma diferença grande entre ter informação e conseguir utilizá-la. Uma empresa pode ter todos os documentos necessários e ainda assim não conseguir responder rapidamente quanto gasta para destinar seus resíduos, quais unidades estão acima da média ou onde existe uma oportunidade de redução de custo”, afirma o executivo.

Digitalização - A digitalização dos processos é uma das respostas a esse cenário. A automação de MTR e CDF pode reduzir etapas manuais, organizar documentos e facilitar o cruzamento de informações que antes estavam distribuídas entre diferentes arquivos e sistemas.

Mas a tecnologia passa a ter um papel mais estratégico quando esses registros deixam de funcionar apenas como documentos de compliance.

“Não adianta simplesmente tirar uma informação da planilha e colocá-la em um sistema. O ganho acontece quando o MTR conversa com o CDF, com o volume gerado, com o custo, com a unidade e com o destinador. A partir daí, o documento deixa de ser apenas uma obrigação de compliance e passa a ser uma peça de informação para a gestão”, afirma Nascimento.

Nesse modelo, uma plataforma SaaS de gestão de resíduos pode integrar diferentes etapas da cadeia e conectar informações do gerador, transportador e destinador. Para uma companhia com dezenas de unidades, a possibilidade de comparar operações em uma mesma base permite identificar diferenças de custos e desempenho que dificilmente aparecem quando cada fábrica acompanha apenas os próprios indicadores.

Quando o resíduo deixa de ser apenas despesa - A consolidação dos dados também abre espaço para uma discussão que vai além da eficiência operacional: a possibilidade de transformar resíduo em receita. O raciocínio parte de uma mudança simples.

Em vez de perguntar apenas quanto custa transportar e destinar determinado material, a empresa passa a avaliar quanto daquele volume poderia ser reduzido, reaproveitado, reciclado ou encaminhado para cadeias capazes de recuperar seu valor econômico.

A oportunidade é relevante em um país que ainda apresenta baixa taxa de recuperação de resíduos.

Segundo a CNI, apenas 1,6% do total de resíduos coletados no Brasil é recuperado, indicador que evidencia o espaço existente para ampliar a transformação de materiais descartados em recursos de valor.

“Durante muito tempo, o resíduo foi colocado na categoria de despesa inevitável. Mas, quando você passa a ter dados consolidados, consegue perguntar quanto daquele custo poderia ser evitado, reduzido ou transformado em valor. A discussão deixa de ser apenas ambiental e passa a ser financeira”, diz Nascimento.

É nesse cenário que empresas de tecnologia ambiental começam a ocupar um espaço que tradicionalmente ficou concentrado nas áreas de meio ambiente e sustentabilidade.

“A maturidade da gestão de resíduos não está apenas em conseguir provar que o material foi destinado corretamente. Isso continua sendo fundamental. Mas o próximo passo é usar tudo o que acontece nessa operação para melhorar o negócio. Se os dados mostram desperdício, risco, ineficiência ou oportunidade de recuperação de valor, essa informação precisa chegar à decisão. Caso contrário, ela continua sendo apenas um registro.”

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