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Sem obras, Beira-Rio pode ser excluído da Copa no começo de março

Comitiva do COL desembarca em Porto Alegre semana que vem para inspecionar estádio

Portal 2014

28/02/2012 16h16


A próxima quarta-feira, 7 de março, pode indicar mudanças radicais nos rumos da Copa em Porto Alegre. Nesta data, uma comitiva de 45 pessoas liderada pelo Comitê Organizador Local (COL) desembarcará na cidade para inspecionar o Beira-Rio, cuja reforma para o Mundial está paralisada há exatos 250 dias e parece não ter prazo para recomeçar.

A vistoria pode selar de vez o afastamento do estádio da Copa de 2014. E colocar no páreo a nova arena do clube rival, o Grêmio, que deve estar pronta no final deste ano.

Emparedado pela Fifa em 2010, o Sport Club Internacional, que pretendia tocar as reformas com recursos próprios ao custo de R$ 180 milhões, teve de ceder às pressões e contratar uma empreiteira para tomar conta do proje

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A próxima quarta-feira, 7 de março, pode indicar mudanças radicais nos rumos da Copa em Porto Alegre. Nesta data, uma comitiva de 45 pessoas liderada pelo Comitê Organizador Local (COL) desembarcará na cidade para inspecionar o Beira-Rio, cuja reforma para o Mundial está paralisada há exatos 250 dias e parece não ter prazo para recomeçar.

A vistoria pode selar de vez o afastamento do estádio da Copa de 2014. E colocar no páreo a nova arena do clube rival, o Grêmio, que deve estar pronta no final deste ano.

Emparedado pela Fifa em 2010, o Sport Club Internacional, que pretendia tocar as reformas com recursos próprios ao custo de R$ 180 milhões, teve de ceder às pressões e contratar uma empreiteira para tomar conta do projeto.

Naquele momento, a federação temia que o clube não tivesse capacidade de entregar tudo o que havia sido prometido para a Copa. Uma empreiteira teria mais responsabilidade e passaria uma imagem de segurança, dizia a Fifa.

O acordo entre Internacional e Andrade Gutierrez foi anunciado em maio do ano passado. Desde então, o clube parou de colocar dinheiro nas obras à espera de que a construtora assumisse o canteiro. Em troca, abriu mão de importantes receitas comerciais por 20 anos.

Resultado: o contrato não saiu, as obras estão paradas há nove meses, e todo acordo corre o risco de ir por água abaixo.

Garantias

O capítulo mais recente desta novela começou com um comunicado oficial da Andrade Gutierrez de 25 de fevereiro acusando o Banrisul, banco estatal gaúcho, de não aceitar as garantias oferecidas para intermediar um empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco, diz a empreiteira, estaria colocando empecilhos para o fechamento do acordo.

A cartada fez com que o governador gaúcho, Tarso Genro, rompesse o silêncio sobre os atrasos para defender a postura da estatal, que, segundo ele, não vai agir “além de suas limitações legais”.

A diretoria do Banrisul também reagiu, afirmando que as garantias oferecidas pela construtora são insuficientes. Se o banco abrisse os cofres nas condições apresentadas pela construtora, o “povo gaúcho” correria o risco de acabar pagando pelas obras do estádio.

“Não existe qualquer restrição à AG, mas não podemos aceitá-la sem a devida liquidez garantida. O que há de concreto é que a construtora não tem outros parceiros para garantir a sociedade”, disse o presidente do Banrisul, Túlio Luiz Zamin.

Uma declaração que vai de encontro ao que afirmava a empreiteira no começo do mês. A Andrade Gutierrez, que vai bancar apenas 20% da reforma de R$ 330 milhões, disse que já havia encontrado parceiros para bancar o restante da empreitada .

Como a negociação parece ter voltado à estaca zero, o governador Tarso Genro colocou em dúvida pela primeira vez a participação do Beira-Rio no Mundial. “Se [a Copa] será no Beira-Rio ou não, eu já tenho as minhas dúvidas, confesso, em função desses últimos acontecimentos.”

Por enquanto, o secretário estadual da Copa, João Bosco Vaz, despista sobre uma possível exclusão do estádio colorado. E parece apostar todas as fichas na visita do COL ao estádio na próxima semana. A diretoria do Internacional veio a público mais uma vez para prometer a assinatura do contrato, “até o final desta semana”.

Mas o fato é que Porto Alegre pode realizar o Mundial sem o Beira-Rio. O Grêmio constrói uma nova arena na periferia da cidade em parceria com a construtora OAS. As obras já passaram de 50% e devem terminar até dezembro.

Mais importante: o estádio atende às exigências da Fifa para jogos de oitavas de final de Copa, o evento mais importante que a capital gaúcha sediará em 2014.

Mesmo que as condições de acesso ao local não sejam privilegiadas, a Grêmio Arena surge como boia de salvação dos gaúchos neste momento em que a participação do Beira-Rio na Copa parece cada vez menos provável.

 

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