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Rolls-Royce estuda ampliar fábrica no ABC paulista

A britânica Rolls-Royce está entusiasmada com o Brasil, nas palavras do presidente mundial da empresa, John Rishton. "As oportunidades aqui são enormes", disse Rishton

Valor Econômico

21/03/2012 09h15 | Atualizada em 21/03/2012 17h55


Em abril, ele completa um ano como presidente da empresa, conglomerado que, em 2011, faturou 11,3 bilhões de libras (US$ 16,9 bilhões). A empresa, listada na Bolsa de Londres, vive um bom momento apesar da crise na Europa e mercados emergentes como o Brasil já respondem por cerca de metade da carteira de encomendas que, no fim do ano passado, situava-se em 62,2 bilhões de libras.

O otimismo com o Brasil relaciona-se com as atividades da indústria de petróleo e gás no mar. As áreas de energia e marítima tendem a ganhar fatia maior nos negócios do grupo no país nos próximos anos. Esses são dois setores em que a empresa atua globalmente. Os outros são aviação civil, no qual a empresa também está bem posicionada no Brasil e no mundo,

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Em abril, ele completa um ano como presidente da empresa, conglomerado que, em 2011, faturou 11,3 bilhões de libras (US$ 16,9 bilhões). A empresa, listada na Bolsa de Londres, vive um bom momento apesar da crise na Europa e mercados emergentes como o Brasil já respondem por cerca de metade da carteira de encomendas que, no fim do ano passado, situava-se em 62,2 bilhões de libras.

O otimismo com o Brasil relaciona-se com as atividades da indústria de petróleo e gás no mar. As áreas de energia e marítima tendem a ganhar fatia maior nos negócios do grupo no país nos próximos anos. Esses são dois setores em que a empresa atua globalmente. Os outros são aviação civil, no qual a empresa também está bem posicionada no Brasil e no mundo, e a área de defesa.

A aviação civil representa cerca de 50% das vendas globais da empresa e é um segmento no qual a companhia se beneficia pela enorme demanda por novas aeronaves. A área marítima responde por 20% das receitas globais do grupo; defesa por outros 20% e energia, 10%. No Brasil, a área de energia pode chegar a representar 25% a 30% das receitas da empresa dado o potencial de negócios com o petróleo.

Um dos planos da Rolls-Royce no país, onde vai investir US$ 200 milhões entre 2012 e 2013 em projetos ligados ao pré-sal, passa por ampliar a unidade de São Bernardo do Campo (SP) para fazer manutenção de turbinas de conjuntos de geração de energia usados em plataformas de petróleo. Hoje essa unidade faz reparos e manutenção de turbinas de avião e de motores industriais menores.

A Rolls-Royce vai também construir uma unidade, no Rio, para montar e fazer testes de conjuntos de geração para o setor de petróleo e gás. Está prevista ainda uma segunda unidade, no mesmo local, no bairro de Santa Cruz, zona Oeste do Rio, para fazer montagem e testes de sistemas de propulsão para a área marítima, além da instalação de um centro de treinamento de última geração. A primeira unidade vai começar a operar, no começo de 2013, e já tem programada a montagem de 32 conjuntos de geração de energia acionados por turbinas a gás para uso em plataformas da Petrobras, um contrato potencial de mais de US$ 650 milhões.

Quando esses conjuntos entrarem em operação e cumprirem o número de horas necessárias para serem revisados, as turbinas poderão ser separadas e levadas para São Bernardo para passarem por manutenção. A empresa não informa o valor da expansão. A data para ampliação da unidade do ABC paulista também não está fechada: pode ser em 2016 ou 2017, quando começarão a entrar em manutenção os novos conjuntos encomendados pela Petrobras, ou antes, a partir de 2013, se houver decisão de fazer no país a manutenção de geradores fornecidos pela Rolls-Royce que operam em plataformas da estatal.

Todo esse investimento se relaciona com a exigência de conteúdo local do governo brasileiro. "O Brasil é muito competitivo em algumas áreas, mas não é competitivo em outras, como ocorre em qualquer lugar", disse Rishton. E acrescentou: "Mas se, simplesmente, tivermos um percentual de conteúdo local e precisarmos continuar a usar algumas dessas áreas nas quais o Brasil não é competitivo significa que, em termos gerais, será difícil exportar." Para o país ser bem-sucedido nessa área é preciso desenvolver a cadeia de suprimentos.

A Rolls-Royce identificou que precisará colocar no Brasil profissionais do grupo para ajudar os fornecedores. A empresa conta com 20 pessoas, incluindo engenheiros, no Rio e em São Paulo, para auxiliar os fornecedores. A compra da alemã Tognum, fabricante de motores diesel, no ano passado, na gestão de Rishton, pode ajudar a alavancar ainda mais o negócio da Rolls-Royce no Brasil. A Tognum, adquirida meio a meio pela empresa britânica e pela Daimler, tem operações no Brasil e produtos que são complementares aos da Rolls-Royce.

Francisco Itzaina, presidente da Rolls-Royce na América do Sul, disse que a compra da Tognum pode ajudar a mais do que duplicar os negócios do grupo na região em dez anos. Em média, a empresa fatura cerca de 450 milhões de libras por ano na América do Sul, número que poderá chegar a 1 bilhão de libras em dez anos. Globalmente, a empresa inglesa também espera dobrar as vendas em uma década. Há dez anos, os negócios da Rolls-Royce eram metade do que são hoje. A carteira era de 17 bilhões de libras ante os atuais 62,2 bilhões de libras.

Para Rishton, o bom momento da empresa no mundo - as ações se valorizaram quase 38% desde o fim de fevereiro de 2011 até ontem - é reflexo da demanda nos diferentes segmentos nos quais a companhia atua e da natureza de longo prazo do negócio da Rolls-Royce, que a faz ficar menos exposta a situações de crise como a vivida em várias regiões desde 2008.

 

 

 

 

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