Infraestrutura
Valor
27/10/2011 09h58
As rodovias brasileiras concedidas à iniciativa privada registram índice de satisfação dos usuários duas vezes e meia superior ao das estradas sob administração pública, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). As estradas sob gestão federal ou estadual que obtiveram avaliação "boa" ou "ótima" somam 33,8%, enquanto as sob concessões chegam a 86,9%. Além disso, os dez trechos de rodovias mais bem avaliados pela pesquisa são da iniciativa privada.
A disparidade, na avaliação da CNT, reflete a "ineficiência" dos investimentos governamentais. No ano passado, foi aplicado um volume recorde de R$ 9,85 bilhões em infraestrutura rodoviária. Mesmo assim, as estradas em estado rui
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As rodovias brasileiras concedidas à iniciativa privada registram índice de satisfação dos usuários duas vezes e meia superior ao das estradas sob administração pública, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). As estradas sob gestão federal ou estadual que obtiveram avaliação "boa" ou "ótima" somam 33,8%, enquanto as sob concessões chegam a 86,9%. Além disso, os dez trechos de rodovias mais bem avaliados pela pesquisa são da iniciativa privada.
A disparidade, na avaliação da CNT, reflete a "ineficiência" dos investimentos governamentais. No ano passado, foi aplicado um volume recorde de R$ 9,85 bilhões em infraestrutura rodoviária. Mesmo assim, as estradas em estado ruim ou péssimo aumentaram de 25,4% para 26,9% da malha rodoviária, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2011. "No ano em que o governo mais investiu em rodovias [...] o cenário não mudou", destaca o diretor da Confederação, Bruno Batista.
O estudo revelou que, dos R$ 64,3 bilhões arrecadados pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) em dez anos, apenas R$ 32,3 bilhões foram usados em infraestrutura de transporte (54,2%). O tributo foi criado em 2001 para complementar os recursos da União em projetos de transporte e combustíveis. Com o montante não aplicado em obras seria possível pavimentar 46.903 quilômetros ou ainda duplicar 6.511 quilômetros de rodovias.
A CNT defende que o país “está vivendo um apagão logístico" e que há espaço para investimentos externos no setor de transporte, que não ocorre pela falta de segurança de retorno dos recursos. "Sem a mudança no marco regulatório os estrangeiros não trazem dinheiro para cá, porque o investimento é de longo prazo", ressalta Batista.
A China, segundo a CNT, tem interesse em investir US$ 300 bilhões em infraestrutura de transporte no Brasil. O diretor informou ao Valor que a intenção foi anunciada em uma reunião na província de Hubei, na primeira quinzena do mês. O interesse seria manter as condições do Brasil de exportar suprimentos para o gigante asiático, assim como é feito em países africanos. "Precisa ter então maior clareza nos interesses de governo para que os recursos possam chegar", defende. Pelos cálculos da CNT, seriam necessários R$ 200 bilhões para deixar todas as rodovias sob administração pública em boas condições.
16 de abril 2020
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