Radar

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR
Infraestrutura
Voltar

Infraestrutura

Rodovia do Parque pode ser ampliada até Portão

Previsão do escritório do Dnit em Porto é que obras, divididas em três lotes, estejam concluídas até o final de 2013 para reduzir o volume de veículos na BR-116

Jornal do Commercio (RS)

17/05/2012 11h23


O projeto original da BR-448, também chamada de Rodovia do Parque devido à proximidade com o Parque de Exposições Assis Brasil, onde se realiza a Expointer, é considerado por muitos como fundamental para a Região Metropolitana de Porto Alegre. E já estão sendo avaliadas melhorias. O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, adianta que está sendo trabalhada, de uma forma ainda embrionária, a possibilidade de estender a estrada até a RS-240, nas imediações do município de Portão.

O superintendente acrescenta que este será o ano para realizar estudos e encaminhar alguns pontos quanto ao processo de licenciamento ambiental. Se tudo transcorrer bem, Casa acre

...

O projeto original da BR-448, também chamada de Rodovia do Parque devido à proximidade com o Parque de Exposições Assis Brasil, onde se realiza a Expointer, é considerado por muitos como fundamental para a Região Metropolitana de Porto Alegre. E já estão sendo avaliadas melhorias. O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, adianta que está sendo trabalhada, de uma forma ainda embrionária, a possibilidade de estender a estrada até a RS-240, nas imediações do município de Portão.

O superintendente acrescenta que este será o ano para realizar estudos e encaminhar alguns pontos quanto ao processo de licenciamento ambiental. Se tudo transcorrer bem, Casa acredita que as obras poderão começar no período de dois a cinco anos. O prolongamento aumentaria a via em mais 17 quilômetros. “Obras públicas, principalmente em termos de estradas, são como avião no ar, não podem parar”, compara Casa.

Pela proposta em execução, o início da BR-448, que é uma rodovia de pista dupla, se dá no entroncamento das rodovias BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) e o final no entroncamento com a BR-290 (Porto Alegre). Em setembro de 2009 foi dada a ordem de serviço para o começo da construção e, atualmente, cerca de 55% do trabalho foi executado. Se não houver contratempos, a previsão de conclusão é para o final de 2013.

O empreendimento foi dividido em três lotes. O primeiro está sendo executado pelas empresas Sultepa e Toniolo Busnello, o segundo pela Construcap e Ferreira Guedes, e o terceiro pela Queiroz Galvão, OAS e Brasília-Guaíba. O primeiro tem uma extensão de 9,14 quilômetros, com investimento inicial de R$ 199,5 milhões, o segundo 5,3 quilômetros e R$ 175,8 milhões, e o terceiro 7,9 quilômetros e R$ 448,7 milhões. O total de investimentos chega a cerca de R$ 824 milhões. O lote 1 contará com duas faixas de rolamento e os 2 e 3 com três faixas. O consórcio gerenciador da BR-448 é formado pelas empresas Enecon e STE.

Na segunda semana de maio, os operários do lote 2 iniciaram a colocação da primeira camada de asfalto do trecho do viaduto da Bianchini até a divisa com o lote 3 (Km 13,4 ao Km 14,4). Foram aplicadas 10 mil toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) em um quilômetro da estrada. Esse foi o segundo segmento da Rodovia do Parque a receber o produto, que tem a função de proteger das intempéries a base da estrada, que já está pronta.

De acordo com o Dnit, até março, o lote 1 havia realizado 63% dos serviços previstos, o 2 registrava 62% dos trabalhos executados e o lote 3 verificava um percentual de 48%. Para concluir a estrada, será necessário ainda deslocar algumas famílias que moram na região. Existem dois processos diferentes para a liberação da faixa de domínio da Rodovia do Parque. Um é o reassentamento, que prevê a realocação de 599 famílias carentes que vivem em área pública. Esse procedimento está sendo feito em parceria com a prefeitura de Canoas. Cerca de 120 famílias já foram realocadas provisoriamente na Vila de Passagem, construída para essa finalidade. E estão em fase de implantação dois loteamentos de casas, totalizando 343 unidades, para abrigar essa população. Também serão construídos mais 256 apartamentos.

Outro processo de liberação de área é o de desapropriação, que ocorre quando as pessoas têm posse do imóvel. Nesse caso, estão 149 propriedades que precisam ser liberadas. O Dnit em parceria com a Justiça Federal tem realizado mutirões conciliatórios para que os proprietários e a autarquia entrem em acordo com relação ao valor das indenizações a serem pagas. Até o início de abril, 122 áreas já tinham fechado acordo.

“A BR-448 é sem dúvida a maior obra rodoviária no Estado nos últimos anos”, afirma Casa. Ele argumenta que não se trata da mais extensa e nem da mais cara, porém é a iniciativa que causará reflexos positivos a um maior número de pessoas. O superintendente lembra que na BR-116 passam cerca de 130 mil veículos por dia. A expectativa é de que de 30% a 40% desse tráfego migre para a Rodovia do Parque. Ele acrescenta que é importante perceber que a nova estrada não beneficiará apenas os seus usuários, mas também os que continuarão a utilizar a BR-116, que terão um trânsito mais tranquilo.

No ano passado, uma questão que causou apreensão foram as denúncias de irregularidades no Dnit, que acabaram culminando na saída do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e a suspensão temporária de alguns processos licitatórios. Casa admite que, nesse período, algumas decisões e autorizações deixaram de ser feitas. Contudo, não houve problemas quanto à liberação de recursos para a BR-448, afirma.

Setcergs garante que caminhões vão buscar a nova estrada como opção

A BR-448, quando finalizada, deverá ser a mais importante alternativa para o trânsito de veículos pesados. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), José Carlos Silvano, enfatiza que a rodovia retirará de circulação da BR-116, e por consequência do meio urbano de Canoas, praticamente todos os caminhões que vêm do polo petroquímico de Triunfo e outros que trafegam pela BR-386 e que depois seguem para a Metade Sul gaúcha ou para a freeway.

O dirigente sindical calcula que com a Rodovia do Parque os caminhoneiros poderão diminuir de 20 a 30 quilômetros a distância até Porto Alegre. “É uma obra que implica redução de gastos para a economia gaúcha e também de poluentes”, comemora Silvano. Ele destaca que a ideia da realização da estrada partiu do sindicato. “Pressionamos o Dnit, que fez o projeto e incluiu no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e acreditamos na iniciativa que é essencial”, afirma.

De acordo com o sindicalista, o empreendimento aumentará a segurança no trânsito e atenuará o custo logístico, sendo uma modernização da estrutura viária necessária. “Não falta dinheiro, as empreiteiras estão se esmerando para cumprir o prazo, a BR-448 e o novo estádio do Grêmio são as únicas obras no Estado que estão andando bem”, ressalta Silvano. Ele admite que a rodovia não resolverá todos os problemas, contudo se trata de um importante paliativo que, com outras medidas, como a duplicação da RS-118 (que liga Sapucaia do Sul a Gravataí), funcionarão como um minianel viário da Região Metropolitana.

Silvano defende ainda que a Rodovia do Parque precisará interagir com a nova ponte do Guaíba. “Não se pode fazer uma nova ponte do Guaíba sem considerar toda a estrutura viária da Região Metropolitana”, argumenta o presidente do Setcergs. Ele sustenta que o complexo precisa ser integrado com as saídas de veículos da BR-448 e da freeway e tem que ser entendido como um sistema viário.

CICS de Canoas espera reflexos positivos para o comércio e os serviços da região

“A nova rodovia propiciará a atração de investimentos, a ampliação da cidade”, projeta a presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CICS) de Canoas e vice-presidente regional da Federasul, Simone Diefenthaeler Leite. Ela salienta que as entidades comerciais da região estão com uma grande expectativa quanto ao que os planos diretores dos municípios irão prever para essas áreas, para que haja um desenvolvimento organizado.

O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, adverte que, se houver o crescimento urbano no entorno da rodovia, é preciso ter cuidado para não serem criados pontos de interferência no trânsito, para a BR-448 não acabar tornando-se outra BR-116. “Esperamos que as prefeituras adotem planejamentos que restrinjam a expansão da cidade ao redor da Rodovia do Parque para que ela preserve sua funcionalidade”, defende ele.

Simone aponta que, além da BR-448, obras como a RS-118 e a RS-010 (entre a BR-290, em Porto Alegre, e a RS-239, em Sapiranga) são fundamentais. Essa última estrada, conforme informações que a dirigente recebeu do governo do Estado, deverá ser viabilizada através de Parceira Público-Privada (PPP). As rodovias permitirão que a BR-116 sirva para o fluxo interno entre as cidades e não entre todo o Estado, como acontece hoje.

A presidente da CICS de Canoas diz que o município é uma referência na área de comércio e prestação de serviços. “Mas muitas pessoas não vêm de Porto Alegre ou de outras cidades para cá em função da mobilidade”, lamenta a dirigente. Ela prevê que, no momento em que a BR-448 for liberada e amplie a mobilidade, o comércio e serviços da região se desenvolverão muito mais.

Simone acredita que a Rodovia do Parque será concluída até o final de 2013, até pelo aspecto político que envolve o projeto e pela proximidade das eleições de 2014 para presidente e governador. “Nós brincamos que há um alinhamento de constelações, pois o PT está nas prefeituras dos municípios de Canoas, Esteio e Sapucaia do Sul, além dos governos estadual e federal”, afirma a dirigente, fazendo alusão à estrela, símbolo do Partido dos Trabalhadores. Ela acrescenta que coincidências como essas, independentemente do partido político envolvido, facilitam o desenvolvimento de obras públicas.

Uma preocupação levantada por Simone é quanto à oferta de mão de obra para atender a todas as demandas que estão previstas para os próximos anos, principalmente às relativas à Copa do Mundo de 2014 e à construção da segunda ponte sobre o Guaíba. Entretanto, faz a ressalva que, no caso da BR-448, como ela já está sendo construída, não deve haver maiores problemas.

Especialista defende melhorias na BR-116

Para o professor de engenharia de trânsito aposentado da Pucrs e consultor em trânsito e transporte, Mauri Panitz, a BR-448 não satisfaz plenamente as necessidades viárias da Região Metropolitana de Porto Alegre. “É uma rodovia, da maneira que foi concebida, que vai solucionar apenas os problemas de congestionamentos no trecho de Canoas até Esteio, mas não terminará com as dificuldades em São Leopoldo, Portão e adjacências.”

Ele defende a necessidade de aprimorar a BR-116. “Agora, nessa rodovia, está sendo usado o acostamento como faixa de tráfego, o viaduto próximo da Unisinos, são ações que deveriam ter sido feitas há dez anos”, diz Panitz. Se esses melhoramentos fossem adotados antes, não haveria tantos congestionamentos e prejuízos para a economia gaúcha, segundo ele.

Panitz ressalta que há várias ações na BR-116 que ainda podem ser realizadas. Uma sugestão é a implantação de uma via contínua entre a avenida Ceará, na Capital gaúcha, até a ponte sobre o rio Gravataí. “O ideal é ter uma continuidade, através de rua lateral, desde Porto Alegre até Novo Hamburgo”, sustenta Panitz.

O consultor considera o prolongamento da BR-448 até Portão como uma necessidade e também diz que a rodovia deveria levar em conta o ingresso e saída da Arena do Grêmio. O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, argumenta que a obra de alguma forma contribuirá para o acesso ao estádio.

Casa comenta que até houve mudanças no desenho da rótula que passa por cima da freeway, não apenas pela construção do complexo esportivo, mas para melhorar o fluxo no entorno. “Agora, a Rodovia do Parque não tem o intuito de servir de saída ou entrada da Arena, ela foi projetada para absorver um tráfego na Região Metropolitana”, salienta o superintendente do Dnit.

Ponte estaiada sobre o rio Gravataí será um dos destaques do empreendimento viário

Uma obra dentro do projeto que compõe a Rodovia do Parque deve chamar a atenção dos motoristas. A ponte estaiada (suspensa por cabos) sobre o rio Gravataí, ligando Canoas e Porto Alegre, terá uma extensão de 268 metros, largura de 31,4 metros, um vão central com altura de 22,5 metros e duas torres com 75 metros.

O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, aposta que a ponte se transformará em um novo “cartão postal”. “É uma obra complexa de engenharia”, relata o dirigente. Ele recorda que foram feitos testes na Ufrgs para confirmar os cálculos envolvidos na iniciativa. Além dessa estrutura, a BR-448 contará com uma elevada, com 2,6 quilômetros de extensão, para diminuir os impactos ambientais do complexo.

 

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP

Telefone (11) 3662-4159

© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade