Mercado
Valor Econômico
22/06/2012 11h20
A decisão de sair do negócio faz parte do programa de venda de ativos da estatal. O caso da Edesur não se encaixa totalmente na projeção da Petrobras de obter US$ 14,6 bilhões com uma reestruturação de ativos que implica na venda de participações no exterior e saída de aplicações financeiras.
Mais do que levantar recursos, a venda vai evitar que a estatal tenha de injetar capital em uma empresa quase insolvente, sem reajuste há 10 anos. As projeções são de que a Edesur chegará ao fim do ano com um caixa negativo de 140 milhões de pesos argentinos. No ano passado a distribuidora registrou prejuízo de US$ 111,68 milhões.
A Petrobras tem 48,5% da Distrilec, empresa que controla a Edesur e da qual a Endesa, controlada pela it
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A decisão de sair do negócio faz parte do programa de venda de ativos da estatal. O caso da Edesur não se encaixa totalmente na projeção da Petrobras de obter US$ 14,6 bilhões com uma reestruturação de ativos que implica na venda de participações no exterior e saída de aplicações financeiras.
Mais do que levantar recursos, a venda vai evitar que a estatal tenha de injetar capital em uma empresa quase insolvente, sem reajuste há 10 anos. As projeções são de que a Edesur chegará ao fim do ano com um caixa negativo de 140 milhões de pesos argentinos. No ano passado a distribuidora registrou prejuízo de US$ 111,68 milhões.
A Petrobras tem 48,5% da Distrilec, empresa que controla a Edesur e da qual a Endesa, controlada pela italiana Enel, tem 51,50%. Uma das empresas que teria apresentado proposta de compra da participação da brasileira é a Sadesa, empresa controlada por Carlos Miguens Bemberg, antigo controlador da cervejaria Quilmes. Mas existem outros interessados argentinos.
A saída da Petrobras do setor de distribuição de energia da Argentina não deve ser tranquila. A Endesa entende que tem direito de preferência e ameaça entrar com uma ação na justiça argentina para evitar a venda pela brasileira. Claramente, a relação entre as duas sócias não é das melhores. A Petrobras entende que a Endesa não pode comprar sua participação na distribuidora de energia devido a um impedimento regulatório - ela já está na geração - e por isso, se os italianos exercerem a opção de compra isso iria apenas atrasar seu plano de saída da Edesur, já que o negócio ficaria parado para análise. "Eles estão blefando. Não querem perder a Petrobras como sócia", avalia uma fonte.
Antes de dar início às negociações de venda, a Petrobras quer se certificar de que o movimento não vai contrariar o governo argentino, às voltas com uma crise energética. Recentemente, o governo permitiu que a Petrobras compensasse um crédito de 31 milhões de pesos argentinos que tinha a receber, que foram abatidos de uma dívida de aproximadamente 42 milhões de pesos argentinos com a Camesa, entidade composta por governo, grandes consumidores e empresas do setor para a aquisição de energia. "Com essa compensação, a Edesur roda mais um mês", explicou ao Valor uma fonte a par do assunto.
Com o problema adiado para o mês que vem, a Petrobras e a Enel terão de tomar uma decisão complicada: ou fazem um novo aporte ou cortam investimentos da empresa. No último caso, aumenta o risco de uma interrupção de energia. E a empresa já recebeu uma multa milionária por causa de um apagão no réveillon de 2010.
O valor de venda estaria em torno de US$ 50 milhões. É difícil uma avaliação já que, apesar de a Edesur ter capital aberto, a empresa não tem negociação na bolsa argentina, o que dificulta um referencial de preço para a participação da Petrobras. Um exercício que pode ser feito é comparar o valor de mercado da Edesur com uma empresa similar, e maior, a Edenor.
No Brasil, a Petrobras enfrenta uma tensão em torno de um esperado, e sem data, reajuste dos combustíveis. O mercado tem especulado percentuais de 10% a 20%. Sendo que o percentual menor tem menos impacto inflacionário e estaria mais perto do que o governo aceitaria conceder.
Ontem, o ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da Petrobras, Guido Mantega, disse que qualquer anúncio sobre o aumento da gasolina, "se é que vai ter", será feito pela Petrobras. Segundo o ministro, em coletiva durante a Conferência Rio+20, a Petrobras é quem definirá quando haverá elevação dos preços de combustíveis e de quanto será o aumento.
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