Logística
Webtranspo
28/06/2012 10h51 | Atualizada em 28/06/2012 17h04
Um dos temas que tem sido bastante abordado no setor de logística é o conceito de “logística reversa”, que consiste basicamente em dar um destino correto para produtos fora de uso, por meio de reciclagem, reutilização ou reparação dos mesmos. Porém, mais do que adotar esse conceito nas atividades da empresa, o grande desafio do setor parece ser utilizá-lo com eficiência.
“A grande maioria ainda enxerga a logística reversa como aumento de custos. Ainda não enxergam que, quando bem coletados, triados e tratados, vários produtos podem retornar ao mercado em perfeitas condições”, diz Maurício Pastorello, diretor de logística da TGestiona, empresa do Grupo Telefônica, que
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Um dos temas que tem sido bastante abordado no setor de logística é o conceito de “logística reversa”, que consiste basicamente em dar um destino correto para produtos fora de uso, por meio de reciclagem, reutilização ou reparação dos mesmos. Porém, mais do que adotar esse conceito nas atividades da empresa, o grande desafio do setor parece ser utilizá-lo com eficiência.
“A grande maioria ainda enxerga a logística reversa como aumento de custos. Ainda não enxergam que, quando bem coletados, triados e tratados, vários produtos podem retornar ao mercado em perfeitas condições”, diz Maurício Pastorello, diretor de logística da TGestiona, empresa do Grupo Telefônica, que abordou esse e outros assuntos em entrevista exclusiva para o Portal Webtranspo.
Com pouco mais de dez anos de existência, a TGestiona começou a trabalhar com logística reversa em 2006, sendo uma das empresas pioneiras neste quesito. “No inicio eram 7 mil equipamentos trabalhados por mês entre modens, equipamentos de dados, de TV, de voz, microcomputadores, celulares e cartões telefônicos. Hoje são 120 mil”, conta Pastorello.
Confira os principais trechos da entrevista:
Webtranspo: Nos pouco mais de dez anos de atuação da TGestiona no Brasil, quais foram as principais mudanças do setor de logística no País?
Maurício Pastorello: A logística ganhou importância estratégica nas empresas. Afinal, reduzir custos é meta geral em todas as indústrias e é isso que a logística bem feita pode atingir. E ter o produto na hora e local que o cliente desejar também é fator fundamental nos dias de hoje, com concorrência acirrada e a cultura do consumo instantâneo.
Tal mudança pode ser comprovada pelo aumento de instituições e associações ligadas ao setor e ao crescimento de cursos e faculdades especializadas em logística. Temos profissionais melhor preparados, apesar de ainda haver escassez de bons talentos nesta área, e aqueles que já estão no mercado, são cada vez mais valorizados e procurados pelos headhunters.
Mais recentemente temos a logística reversa, que sob um guarda-chuva de sustentabilidade, pode trazer de carona ganhos enormes de dinheiro, reduzindo investimentos e aumento a satisfação do cliente.
WT: Quando a empresa começou a trabalhar com a “logística reversa”?
MP: As operações de Logística Reversa na TGestiona iniciaram em 2006, com a prestação de serviços ao Grupo Telefônica. No inicio eram 7 mil equipamentos trabalhados por mês entre modens, equipamentos de dados, de TV, de voz, microcomputadores, celulares e cartões telefônicos. Hoje são 120 mil. Esse pioneirismo tornou a TGestiona referência no assunto.
WT: Na sua visão, as empresas do setor ainda não compreendem esse conceito de “logística reversa”?
MP: Isto está mudando rapidamente, mas a grande maioria ainda enxerga a logística reversa como aumento de custos. Ainda não enxergam que, quando bem coletados, triados e tratados, vários produtos podem retornar ao mercado em perfeitas condições, contribuindo para o Meio Ambiente, uma vez que aquele resíduo não será jogado na natureza, não serão consumidos outros recursos para a produção de produtos novos e também para os resultados financeiros da organização. Um produto que passou pela logística reversa chega a custar para a empresa até 70% menos do que um produto novo.
WT: Quais foram os principais ganhos da empresa desde então?
MP: A expertise adquirida nesses quase seis anos de atuação em logística reversa trouxe para a TGestiona a economia de milhões para o cliente Telefônica, com aparelhos retornados em perfeito funcionamento. Hoje, o custo dos equipamentos retornados representa até 70% menos que um equipamento novo. Além disso, a empresa se consolida, cada vez mais, como player no segmento de logística reversa, tanto pela eficiência, como pelos volumes que vem alcançando.
WT: Como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) está influenciando no setor de logística no Brasil?
MP: Hoje, cerca de 18% dos munícipios brasileiros já possuem coleta seletiva. Esse número pode ser considerado tímido, mas já denota um primeiro passo dado na direção de ampliar o termo de compromisso para todo o Brasil. Além do impacto positivo causado no meio ambiente, o crescimento do setor está intimamente ligado ao desenvolvimento econômico local, gerando trabalho e, consequentemente, aumentando a renda do cidadão.
A estrutura logística atual passará por adaptações a uma nova realidade, a partir do momento que o mercado estiver conscientizado e pronto ao atendimento da nova lei. Os custos da logística reversa terão que ser muito bem estudados para que os preços dos produtos finais aos consumidores não aumentem em decorrência da nova exigência.
WT: De acordo com a Abralog (Associação Brasileira de Logística), o faturamento do setor em 2012 deve ser de R$ 450 bilhões, superando a média anual de R$ 400 bilhões. Qual é a expectativa da TGestiona para este ano?
MP: Estamos esperando um crescimento de 15% em relação a 2011.
WT: Um dos fatores responsáveis pelo bom momento é o aumento da terceirização dos serviços logísticos. Essa é uma tendência que deve continuar nos próximos anos?
MP: Ter bons parceiros é essencial em qualquer negócio. Com a especialização cada vez maior na logística, acredito ser tendência terceirizar tudo aquilo que não é foco principal da empresa. As empresas de logística com perfil da TGestiona ficarão cada vez mais focadas em desenvolver soluções e novas formas de planejamento para entregar mais, num menor tempo e com menor custo. Muitas atividades podem ser terceirizadas com um bom modelo de governança, uniformização de valores corporativos e integração sistêmica. A TGestiona conta com seus parceiros e promove uma campanha anual com todos eles, chamada Parceiro Destaque, garantindo uma troca de informações constante, sempre em busca da melhor performance de atendimento aos nossos clientes.
WT: Qual é a maior dificuldade para as empresas de logística no Brasil hoje em dia?
MP: Pela predominância do modal rodoviário em nossas operações, temos as dificuldades de qualquer cidadão, como o trânsito, as condições das estradas no Brasil e a falta de segurança. Ainda temos um risco de sinistro alto, encarecendo as operações de produtos de alto valor agregado devido ao alto investimento em segurança que fazemos.
Creio que falta um olhar macro sobre este assunto, pois uma boa infraestrutura poderia garantir mais competitividade às empresas brasileiras no mercado mundial. Na China, por exemplo, é verdade que a mão-de-obra é mais barata, mas as condições de infra que eles possuem são as grandes responsáveis pelo sucesso no comércio exterior.
Encontrar profissionais especializados também é um fator crítico, mas com a evolução dos últimos anos, acredito que este problema irá diminuir gradativamente.
Encontrar espaços é cada vez mais raro também. Os bons espaços, com dimensões e infra adequadas, próximos às grandes rodovias e aeroportos, são cada vez mais escassos.
WT: Na sua visão, qual é o fator mais importante para uma logística eficiente?
MP: Logicamente, o desafio é enorme. É preciso muito planejamento em várias frentes: conseguir conciliar a entrega com a retirada otimizando recursos, pessoas e transporte; o agendamento da coleta para evitar insucessos nas visitas de coleta; ter parceiros confiáveis para transporte e destinação dos resíduos, além de criar uma estrutura de triagem eficiente.
A TGestiona, por atuar há muito tempo neste setor e com grandes volumes, criou em 2010 uma Central de Logística Reversa, vencedora do Projeto Inovador da FGV, onde todos esses desafios estão centralizados e organizados.
09 de janeiro 2020
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