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Consumo de aço ainda é bastante tímido no Brasil, diz executivo

De acordo com o gerente de negócios da Belgo Arames, Jeferson Rocha, o setor de galpões vem compensando o esfriamento da demanda em outras áreas

Redação

27/08/2026 19h42



Imagem: Marcelo Januário

Em entrevista exclusiva à Revista Grandes Construções, o gerente de negócios da Belgo Arames, Jeferson Vieira da Rocha (em destaque na imagem acima), traça um panorama do segmento no país, destacando a atuação da empresa em mercados como construção c

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Imagem: Marcelo Januário

Em entrevista exclusiva à Revista Grandes Construções, o gerente de negócios da Belgo Arames, Jeferson Vieira da Rocha (em destaque na imagem acima), traça um panorama do segmento no país, destacando a atuação da empresa em mercados como construção civil, infraestrutura, ferrovias, pré-fabricados de concreto, mineração, túneis e outros.

Fruto de uma parceria estratégica entre a ArcelorMittal e a Bekaert, a empresa já conta com cinco décadas de existência, tornando-se referência no mercado brasileiro de arames de aço, com matriz em Contagem (MG) e um complexo industrial com oito plantas industriais.

Na construção, as aplicações e soluções atendidas pela marca abrangem fibras de aço para reforço de concreto, concreto protendido, gabiões para contenções e obras hidráulicas, reforços para alvenaria e mineração subterrânea, com produtos que servem de termômetro da atividade na construção.

O executivo ingressou na ArcelorMittal em 2007, inicialmente como office-boy, passando posteriormente por várias áreas, até migrar em 2010 para o departamento comercial, onde permaneceu por mais 13 anos.

Desde 2023, ele lidera as estratégias comerciais para a construção civil da Belgo Arames no país.

Segundo Rocha, nesta entrevista realizada durante o Concrete Show 2026, a maior preocupação atual do setor é a pressão dos produtos importados que chegam ao Brasil.

“É unânime entre os produtores de aço e de arame que há uma entrada no país como nunca houve antes”, diz ele.

“Mas é natural que o mercado se movimente, que os clientes busquem soluções, isso é saudável para que a gente puxe a nossa régua sempre para cima”, salienta.

A seguir, acompanhe os principais trechos.

  • Quais são os principais segmentos em que a empresa atua no mercado brasileiro?

Atualmente, atuamos em quatro grandes segmentos de mercado, incluindo infraestrutura, construção residencial e corporativa, obras industriais (especialmente o segmento de galpões) e pré-fabricados de concreto, que abrange a construção industrializada. Cada um desses blocos tem suas particularidades de atuação.

  • Como avalia o momento nessas linhas de negócios?

Há mercados com mais oportunidades no momento, como o segmento de galpões industriais, por exemplo, em que hoje a vacância está baixíssima, algo perto de 5%. O e-commerce puxou muito esse movimento, sendo que praticamente não há disponibilidade de espaços. Com isso, o preço continua subindo e motiva novos investimentos. Então, esse setor é um mercado que está jogando a favor.

  • Após a movimentação em várias regiões, o setor imobiliário deu uma esfriada?

Não diria que deu uma esfriada, mas o mercado predial ficou mais flat em relação às expectativas, muito em função de questões como inadimplência e juros altos. Mesmo o programa Minha Casa Minha Vida, que há tempos vem puxando esse mercado, deu uma certa travada, eu diria até que estagnou. Não dá para falar que está ruim, mas está abaixo do que se esperava para o ano. Já no segmento de médio e alto padrão, os estudos da Abrainc indicam aumento de lançamentos, mas as vendas não estão acompanhando esse avanço. Então, o mercado reflete um pouco essa dificuldade do mercado predial.

  • Na infraestrutura, a demanda também está aquém das expectativas?

O setor de infraestrutura é importante pelo volume de aço envolvido, mas também é um mercado que tem muito investimento represado. Apesar disso, a Belgo Arames está presente nas maiores obras que estão rodando hoje no país, como o metrô de São Paulo e o metrô de Fortaleza, além de diversas pontes e viadutos. Mas a quantidade de obras poderia ser melhor. Afinal, precisamos de uma infraestrutura mais robusta – e o Brasil tem muita oportunidade para aumentar o consumo per capita de aço, que ainda é tímido.


Setor de infraestrutura é importante pelo volume de aço envolvido, diz o executivo. Imagem: Divulgação


  • Como o avanço dos pré-fabricados pode ajudar nesse sentido?

Como é muito ligado a obras industriais, esse mercado segue aquecido. Até porque resolve uma dor importante do setor, que é a falta de mão de obra. As estatísticas mostram que a média de idade do mestre de obra nos canteiros brasileiros é de 45 anos. Então, podemos ter uma séria escassez nos próximos dez anos se não contarmos com soluções industrializadas, com produtos que otimizem os métodos construtivos. Mas o pré-fabricado atende bem essa dor de mercado, despontando como o futuro da construção civil, muito em função não só dessa questão da mão de obra, mas também de tempo de execução. Por outro lado, o nosso sistema de tributação não motiva tanto a industrialização, como no modelo americano. Esse é um dos dificultadores para que isso escale mais rápido.

  • Como o setor ferroviário se encaixa no portfólio?

Apesar de ser uma obra de infraestrutura, olhamos para o setor ferroviário como um mercado de pré-fabricação. Não fornecemos dormente metálico nem de madeira, mas sim de concreto, em parceria com outras empresas que utilizam nosso fio de protensão no reforço estrutural. Inclusive, um de nossos clientes nesse segmento, que usa 100% de material da Belgo, acabou de ser premiado pela 4ª vez como a melhor empresa de dormentes do país. É um mercado bem relevante para nós, tanto que se a demanda do mercado ferroviário acontecesse de uma vez, a Belgo teria de abrir uma fábrica nova.

  • Também há oportunidades no segmento imobiliário de altíssimo padrão? De que forma?

Com certeza. Apesar de não ser tão representativo em volume, o aço de protensão, que são as cordoalhas, é um aço de sete fios com uma capa plástica e uma graxa especial aplicada, que atende a uma necessidade construtiva, que é a de ter menos vigas e pilares no empreendimento. Ou seja, é possível eliminar pilar e viga em empreendimentos que exigem maior apelo arquitetônico. Assim, se ganha em área comum, vaga de garagem e flexibilidade arquitetônica, pois é um segmento ávido por exclusividade.

  • Quais são as vantagens dos produtos da Belgo na infraestrutura?

Na linha estrutural, que abrange aços voltados para fundação de obras, infraestrutura e obras de arte especiais, por exemplo, a fibra substitui as armaduras convencionais – como vergalhões e telas – por uma estrutura que faz a função de reforço. Isso traz um maior controle de fissuração e reduz a necessidade concreto e a relação hora-homem, pois não requer ninguém armando a ferragem. Basta misturar o material no concreto, o que pode ser feito tanto na obra, quanto na central de concreto.


Gabiões Easy da Belgo são usados em contenção com telas eletrosoldadas, enquanto as fibras de Dramix substituem armaduras convencionais em elementos estruturais como pisos, pavimentos, lajes e outras. Imagem: Divulgação


  • Como essas soluções atuam no reforço estrutural do concreto? Pode dar um exemplo?

Diferentemente da tela soldada, que exige um cobrimento mínimo de concreto com a tela embaixo, a fibra de aço de alta resistência Dramix, por exemplo, se espalha por toda a área, com uma especificação de dosagem de acordo com cada projeto. As vantagens disso incluem a redução do volume de concreto, por não ter esse cobrimento mínimo, além de vida útil e manutenção. Ela tem malhas espalhadas e se fratura em malha, trincando apenas até o próximo reforço. Então, no caso de qualquer perda de reforço, já para no próximo.

  • E como o portfólio atende a áreas como mineração?

Ainda na linha estrutural, temos a tela de reforço Fortify, um eletrossoldado galvanizado desenvolvido para contenção e retenção de maciços rochosos em túneis e escavações, que agrega segurança conforme a mina vai ganhando projeção e produtividade. Seja em uma mina a céu aberto ou subterrânea, esse reforço garante segurança e qualidade de desempenho também.


Tela de reforço Fortify foi desenvolvida para contenção e retenção de maciços rochosos em túneis e escavações, Imagem: Divulgação


  • No âmbito digital, qual é o propósito do software para modelagem de gabiões anunciado na Feicon?

Integrando os arames Belgo ao processo de modelagem de muros de gabião, o plug-in Belgo BIM atua na modularização por meio da digitalização, que estamos trazendo para a linha estrutural dentro de um dos maiores softwares de cálculo estrutural do Brasil, que é o Eberick, da AltoQi. Como único fabricante de cordoalhas no Brasil, já oferecemos a segurança da dupla certificação, mas também facilitamos a vida dos calculistas, desde a parte de tecnologia, pré-projeto, digitalização e, agora, com um módulo específico dessa ferramenta.


Parceria com a AltoQi integra cordoalhas ao software Eberick para projetos e cálculos estruturais. Imagem: Divulgação


  • No campo comercial, como vê o aumento da concorrência no segmento?

Hoje, a maior preocupação é a pressão dos produtos importados que chegam ao Brasil. É unânime entre os produtores de aço e de arame que há uma entrada no país como nunca houve antes. Mas é natural que o mercado se movimente, que os clientes busquem soluções, isso é saudável para que a gente puxe a nossa régua sempre para cima. Por outro lado, imagine uma empresa como a Belgo, que gera milhares de empregos, gera inovação e traz valor para o mercado com dupla certificação, ter de concorrer com um produto que produz 44% a mais de CO2... A base de comparação acaba ficando um pouco distorcida, mas a gente precisa lidar com isso.

  • O desempenho do produto permite enfrentar essa avalanche de importados?

Diria que o desempenho é uma palavra muito boa e que a gente usa em muitas abordagens. Porque, de fato, os produtos da Belgo oferecem desempenho, qualidade e segurança. Então, esse é um diferencial. Sem falar de velocidade de execução e de redução do tempo de obra. E ainda temos uma força de vendas 100% formada por engenheiros, o que também é um diferencial relevante. ♦

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