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09/05/2012 10h31 | Atualizada em 09/05/2012 14h00
Executar a reforma de um estádio de futebol aproveitando a estrutura original, quase intacta, é um desafio para a Copa do Mundo. Muitos gestores, engenheiros e arquitetos acabam optando pela demolição completa para depois erguer uma arena inteiramente nova.
Não será este, porém, o caso do Castelão, em Fortaleza, estádio com as obras mais avançadas dentre os 12 palcos do Mundial e que aposta no diálogo do esqueleto antigo com uma moderna cobertura para despontar como uma das arenas mais complexas da Copa.
O Castelão, que não apenas sediará a partida de semifinal da Copa das Confederações em 2013 como receberá seis jogos no Mundial de 2014 –dois deles com a sele
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Executar a reforma de um estádio de futebol aproveitando a estrutura original, quase intacta, é um desafio para a Copa do Mundo. Muitos gestores, engenheiros e arquitetos acabam optando pela demolição completa para depois erguer uma arena inteiramente nova.
Não será este, porém, o caso do Castelão, em Fortaleza, estádio com as obras mais avançadas dentre os 12 palcos do Mundial e que aposta no diálogo do esqueleto antigo com uma moderna cobertura para despontar como uma das arenas mais complexas da Copa.
O Castelão, que não apenas sediará a partida de semifinal da Copa das Confederações em 2013 como receberá seis jogos no Mundial de 2014 –dois deles com a seleção brasileira em campo–, está sendo remodelado a partir de uma concepção inovadora do escritório de arquitetura paulista Vigliecca & Associados, em conjunto com a Secretaria da Copa do estado do Ceará.
O projeto da arena de Fortaleza funciona da seguinte forma: a carcaça antiga é reaproveitada e, ao seu redor, 60 pórticos de aço dão sustentação a uma nova cobertura, se encaixando com a velha estrutura de concreto.
“Assim, resolve-se o problema com as vibrações das arquibancadas”, explica Ronald Werner, um dos arquitetos da Vigliecca & Associados e responsável direto pelo projeto do Castelão. “A cobertura vai ajudar a estrutura existente a funcionar melhor,”diz.
Os pórticos funcionam de forma independente da carcaça do Castelão, mas como são distribuídos entre o apoio do solo e a estrutura de concreto, e amortecidos através de um sistema de fixação de rótulas, eles eliminam as movimentações da estrutura.
A instalação dos pilares teve início em março deste ano. Neste momento, mais da metade dos 60 pórticos já foram colocados no Castelão.
Para engenheiro Flávio D'Alambert, especialista em estruturas e autor da concepção estrutural do estádio Castelão, o maior desafio do projeto foi conseguir equilíbrio entre os esforços nos vários pórticos.
“Como Fortaleza é constantemente varrida por ventos, algumas partes da cobertura serão pressionadas, enquanto outras sofrerão forças de arrancamento”, explica. Dessa forma, a cobertura foi elaborada para suportar ventos de até 110 km por hora.
A “armadura” cearense já foi até colocada à prova em testes no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, no ano passado.
Dentro e fora do estádio
Além dos pórticos treliçados e da cobertura com telhas metálicas do tipo sanduíche (duas faces de metal e enchimento de espuma isolante), as intervenções no estádio da Copa em Fortaleza preveem o rebaixamento do gramado em quatros metros e um novo anel de arquibancadas inferiores.
Fora do campo de jogo, o Castelão passa a ter estacionamentos para 1.900 carros, a sede anexa da Secretaria Estadual de Esportes e uma praça de acesso ao estádio de 70 mil m2.
“Aproveitamos a topografia irregular do terreno para criar essa nova praça elevada, uma espécie de platô. E a partir dos platôs, criamos acessos em todo o estádio através de rampas, facilitando a evacuação do público”, detalha Werner.
Para construir os estacionamentos, a Secretaria de Esportes e a praça de acesso, já concluídos desde o começo do ano, a Secretaria Estadual da Copa no Ceará (Secopa) utilizou cerca de mil peças pré-fabricadas de concreto. Ao todo, 36% do complexo do Castelão estão sendo feitos com essas peças, todas fabricadas no próprio canteiro de obras.
"Produzir os pré-moldados no canteiro é importante porque temos controle sobre eles, além de garantir qualidade no acabamento”, explica a assessoria da Secopa.
Depois de concluir as duas primeiras etapas da obra no prazo, o governo de Ceará e o consórcio construtor, formado pelas construtoras Galvão Engenharia e Andrade Mendonça, trabalham para finalizar a terceira fase, atualmente com metade da execução.
Trata-se do que a Secopa chama de edifício central e que vai servir como centro de comando de todo o complexo do Castelão, mas que pode ser entendido como um setor inteiramente novo que vai abrigar os 52 camarotes, a área de imprensa, as áreas VIPs e os estúdios de transmissão televisiva, conforme previsto no caderno de encargos da Fifa.
Para construir este setor nobre da arena de Fortaleza, os arquitetos e o consórcio construtor tiveram de abrir uma exceção na concepção arquitetônica e acabaram por demolir a antiga arquibancada oeste do estádio, único setor da estrutura velha que teve de vir abaixo.
O arquiteto Ronald Werner explica: “Em vez de espalharmos os camarotes e áreas VIPs na estrutura existente, o que exigiria muitas adaptações, acabamos implodindo esta faixa inteira e encaixamos uma seção nova no estádio”, afirma.
“Assim, todas estas exigências modernas da Fifa funcionarão de forma compacta. Isso gerou economia e praticidade para a obra”. A entrega do prédio onde estarão abrigados os camarotes e áreas VIPs está prevista para setembro, mas o consórcio construtor pode antecipar o prazo.
Por fim, a quarta e derradeira fase da obra do Castelão, “que trata da finalização de todo o projeto e interação entre as etapas”, de acordo com a Secopa, tem quase um terço das obras concluídas e deverá ser concluída até o fim do ano.
Atualmente, o canteiro do estádio cearense tem 1.400 operários em nove frentes de trabalho. O número deve subir a 1.800 no pico das obras, em julho.
Assim que estiver pronto a previsão é dezembro próximo o Castelão será uma das quatro maiores arenas do Brasil, com capacidade para 67 mil lugares. O custo total da obra é de R$ 518 milhões, valor que prevê não só a readequação da praça esportiva como inclui todas as obras do entorno.
16 de abril 2020
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