Infraestrutura
Jornal do Commercio (RS)
19/04/2012 12h00 | Atualizada em 19/04/2012 15h52
Apesar de os trabalhos de substituição do asfalto por concreto já ter começado em duas das três avenidas que vão receber o sistema BRT (Bus Rapid Transit), a administração municipal ainda não tem claro qual será a dimensão de outras estruturas do sistema, como as estações que substituirão as atuais paradas de ônibus, os terminais de integração e os próprios veículos.
Essas definições, segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Vanderlei Cappellari, aguardam a conclusão de um estudo de demanda que vai projetar o aumento do número de passageiros até 2035 e a realização do projeto operacional.
Esse segundo estudo, que será feito por outro consultor (diferente do
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Apesar de os trabalhos de substituição do asfalto por concreto já ter começado em duas das três avenidas que vão receber o sistema BRT (Bus Rapid Transit), a administração municipal ainda não tem claro qual será a dimensão de outras estruturas do sistema, como as estações que substituirão as atuais paradas de ônibus, os terminais de integração e os próprios veículos.
Essas definições, segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Vanderlei Cappellari, aguardam a conclusão de um estudo de demanda que vai projetar o aumento do número de passageiros até 2035 e a realização do projeto operacional.
Esse segundo estudo, que será feito por outro consultor (diferente do que trabalha na pesquisa de demanda), irá dimensionar tanto o tamanho dos ônibus que vão circular nos corredores, quanto o traçado e o tipo de veículo que irá operar as linhas de alimentação. Só a partir disso é que serão lançados os editais. “Além dos BRTs temos que finalizar as definições do metrô para ter o material necessário para construir os editais”, explica o secretário.
As projeções iniciais são de que o sistema BRT seja operado por veículos articulados (de 18 metros de comprimento) e biarticulados, de 23 metros. As estações seguirão um projeto modular criado pelo escritório de arquitetura De Biagi, de Porto Alegre, e poderão ser maiores ou menores, conforme as determinações do estudo de demanda. Essas estações serão fechadas e climatizadas, a partir de um sistema que utiliza energia solar.
“Quando os BRTs entrarem em operação, o metrô ainda não vai estar pronto, mas vai estar dimensionado. Por isso, a bacia Norte atual do sistema público de transporte vai seguir operando até a entrada em funcionamento do metrô. Lá temos 55% da demanda e da frota de Porto Alegre e não podemos fazer uma mudança provisória, até o fim das obras do metrô”, explica Cappellari. Ele afirma que alguns grupos interessados em disputar a construção do trem subterrâneo já sinalizaram que podem optar por usar uma tuneladora, que faz os túneis em menos tempo e com menor impacto na superfície.
A formatação financeira do projeto de Porto Alegre prevê o uso do sistema cava e tapa, que é mais barato. A diferença de valores, no caso do uso da tuneladora, também conhecida como tatuzão, seria coberta pelo vencedor da licitação e seria compensada com o aumento do período de operação do sistema. A empresa terá quatro anos para construir a linha e 30 anos para explorar o funcionamento do metrô. “Se fizer em menos tempo, a diferença será somada ao tempo de concessão”, garante Cappellari.
O secretário de Gestão, Urbano Schmitt, acrescenta que, como os projetos dos terminais e das estações não estão prontos, ainda não há orçamento previsto para as estações, que serão feitas de forma separada para cada linha do BRT. Já o projeto de monitoramento eletrônico do sistema está sob análise da Caixa Econômica Federal e deve ser licitado até maio. O valor estimado para essa etapa do projeto é de R$ 14,4 milhões.
Previsão é que cidade conte com o novo serviço em 2013
O transporte público de Porto Alegre está prestes a ser substituído por um novo sistema, com novas linhas e nova concepção, para atender o crescimento da demanda até o ano de 2035. O modelo, baseado na implantação inicial de três corredores de BRT será complementado, depois, com o metrô de Porto Alegre e a estruturação de redes alimentadoras nas zonas Leste, Sul e Norte e seus eixos transversais. Três grandes estações de integração - Manoel Elias, Antônio de Carvalho e Icaraí, unirão a rede.
A implantação dos BRTs começa pelas avenidas Protásio Alves, Bento Gonçalves e João Pessoa, que terão quatro etapas de adequação para receber os novos veículos de grande porte. Essas etapas correspondem aos lotes, que terão licitações separadas. Além de permitir trânsito de ônibus mais pesados e rápidos, as vias devem estar preparadas para sincronizar eletronicamente o tráfego dos coletivos com a operação das sinaleiras.
Na primeira fase (que teve início em março nas avenidas Protásio Alves e Bento Gonçalves), o asfalto do pavimento é substituído por concreto, mais resistente. “O passo seguinte é a qualificação das paradas, que serão transformadas em estações fechadas e climatizadas, onde o acesso é feito mediante o pagamento da passagem e o usuário fica no mesmo nível do ônibus para embarcar”, explica o coordenador do projeto, engenheiro Luís Cláudio Ribeiro. As etapas três e quatro preveem a construção de terminais de integração e instalação dos equipamentos eletrônicos, para monitoramento e controle do fluxo e informação ao passageiro.
A previsão do município é que o sistema entre em operação até dezembro de 2013, já que a qualificação do transporte coletivo faz parte dos compromissos para a Copa do Mundo de 2014. Em função disso, o projeto recebeu financiamento da Caixa Econômica Federal. Segundo Ribeiro, o funcionamento dos BRTs forçará a restruturação paulatina de todas as outras linhas, mas essa revisão só será completa em 2017, quando deve começar a funcionar o metrô de Porto Alegre.
A projeção da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) é que a média de velocidade dos corredores, que atualmente varia entre 15 km/h e 22 km/h, chegue a 25 km/h. “Pensamos, inclusive, em criar pontos de ultrapassagem nos corredores para que possamos ter linhas ainda mais rápidas”, explica Ribeiro.
Atualmente Porto Alegre tem 1,1 milhão de viagens de ônibus urbanos e metropolitanos por dia. O volume é crescente desde 2009, quando o número de viagens era de 700 mil. Naquele ano começou a reversão do processo de perda de usuários do transporte público que vinha ocorrendo desde 1997. Entretanto, a expectativa das autoridades de trânsito é que a atração de novos passageiros para o transporte público seja pequena.
“Trabalhamos pela manutenção da nossa base de usuários”, disse Ribeiro, ao lembrar que a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) estima que investimentos como o que está sendo feito em Porto Alegre atraem no máximo 10% mais pessoas. “Esperamos chegar a aumentar o fluxo de pessoas no transporte público em 15%, quando o metrô entrar em operação”, detalha o engenheiro.
16 de abril 2020
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