
Em entrevista exclusiva à Revista Grandes Construções, o Ministro das Cidades Vladimir Lima discorre sobre o cenário habitacional brasileiro, com enfoque na importância da expansão do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que ampliou o teto e a renda para quem deseja adquirir o primeiro imóvel por crédito imobiliário nas faixas baixa e média de renda.
Ligado à Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades (MCID), o programa já movimentou mais de 7 milhões de moradias contratadas desde a sua criação, em 2009, tornando-se um dos principais motores da construção civil no país.
Como incentivos financeiros, o MCMV combina subsídios diretos (que reduzem ou quitam o valor do imóvel), taxas de juros reduzidas em relação às praticadas pelo mercado e uso do saldo do FGTS na entrada ou amortização.
Engenhei


Em entrevista exclusiva à Revista Grandes Construções, o Ministro das Cidades Vladimir Lima discorre sobre o cenário habitacional brasileiro, com enfoque na importância da expansão do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que ampliou o teto e a renda para quem deseja adquirir o primeiro imóvel por crédito imobiliário nas faixas baixa e média de renda.
Ligado à Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades (MCID), o programa já movimentou mais de 7 milhões de moradias contratadas desde a sua criação, em 2009, tornando-se um dos principais motores da construção civil no país.
Como incentivos financeiros, o MCMV combina subsídios diretos (que reduzem ou quitam o valor do imóvel), taxas de juros reduzidas em relação às praticadas pelo mercado e uso do saldo do FGTS na entrada ou amortização.
Engenheiro civil e mestre em geofísica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Gestão Orçamentária e Financeira no Setor Público, Lima é servidor público na carreira de analista de infraestrutura desde 2008, tendo atuado na condução de programas e ações de urbanização de assentamentos precários, requalificação urbanística e produção habitacional, além de coordenar a área de urbanização na Secretaria Nacional de Habitação (SNH).
Em 2023, ano da recriação do MCID, o servidor assumiu a função de secretário executivo adjunto da pasta, responsável pela articulação de programas e projetos do Ministério e interlocução com agentes públicos. Posteriormente, foi promovido a secretário executivo do Ministério.
Em abril de 2026, assumiu o comando do órgão do governo federal brasileiro responsável pelas políticas de habitação, saneamento básico, mobilidade urbana e desenvolvimento urbano, sucedendo Jader Filho.
“O Programa MCMV consolidou-se como a principal engrenagem de habitação de interesse social do país”, afirma o ministro, que também já atuou como engenheiro de planejamento na iniciativa privada, incluindo passagens pela Braskem e Petrobras.
A seguir, acompanhe os principais trechos.
Desde 2009, já foram contratadas mais de 9,5 milhões de moradias de interesse social em todo o país, ressalta o ministro. Foto: AGÊNCIA BRASIL
Ao completar 17 anos de existência em 2026, o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolida-se como a principal engrenagem de habitação de interesse social do país. Desde a sua criação, em 2009, foram contratadas mais de 9,5 milhões de moradias em todo o país. A recriação do programa, realizada em 2023, imprimiu um novo ritmo na produção habitacional, contabilizando mais de 2,5 milhões de unidades contratadas até julho de 2026. Esse esforço recente, que injetou mais de R$ 390 bilhões na economia, recoloca o MCMV no papel de motor estratégico do crescimento econômico do país.
Sabemos que a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou em junho o substitutivo do relator, deputado Merlong Solano, ao Projeto de Lei no 5.663/16, do deputado Carlos Zarattini, e que esse texto continua tramitando no Congresso Nacional. Mas o PL é um tema do legislativo. Da parte do Ministério das Cidades, apoiamos o inédito projeto de Parceria Público-Privada de locação social vinculado ao MCMV (“Morar no Centro”), lançado em maio pela Prefeitura de Recife na B3, também mas estamos apoiando projetos de locação social de outras prefeituras, que ainda serão lançados.
Projeto de locação social “Morar no Centro” é a primeira PPP do país destinada à população de baixa renda, destaca Lima. Foto: PATRÍCIA NEVES/B3
O programa Minha Casa, Minha Vida é, sem dúvida, o maior programa habitacional da história do Brasil e tem facilitado que as famílias brasileiras conquistem o primeiro imóvel e saiam do aluguel. Dito isto, o programa federal respeita o Plano Diretor de cada município, bem como as legislações locais.
O Ministério das Cidades tem por diretriz o acompanhamento regular dos impactos dos programas e ações nas famílias brasileiras para o aprimoramento das políticas públicas. O Minha Casa, Minha Vida é um programa dinâmico, e acreditamos que parte do seu sucesso se deve aos aperfeiçoamentos ocorrido ao longo do tempo. Ajustamos, por exemplo, o aumento do desconto no valor da entrada, que pode chegar a até R$ 65 mil no caso de uma família na menor faixa de renda e vivendo na Região Norte, que tem dificuldades como um custo logístico maior e conta com uma das menores rendas médias por região do país. Já em abril deste ano, aumentamos os limites das faixas de renda no MCMV e o valor máximo dos imóveis nas faixas 3 e 4. Para as faixas 1 e 2, o valor máximo dos imóveis já havia sido reajustado meses antes. Enfim, o programa já passou por várias mudanças desde a sua criação – e estamos sempre procurando melhorar.
Os recursos para habitação estão assegurados e o orçamento deste ano, incluindo os originados no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e no Fundo Social, é de R$ 200 bilhões. O FGTS é a principal fonte de financiamento e tem a habitação como um dos pilares de aplicação dentre o rol de ações de desenvolvimento do país.
Segundo o servidor, o programa MCMV jápassou por vários aperfeiçoamentos ao longo do tempo. Foto: REBECA LIMA/PMBV
O programa é uma importante política pública que proporciona acesso à moradia para as famílias brasileiras. Ao praticar juros menores que os de mercado e prazos de pagamento mais longos, o programa contribui justamente para que não haja comprometimento excessivo da renda com o financiamento e, frequentemente, para que o beneficiário passe a valores menores do que o aluguel que pagava anteriormente.
Os novos tetos da renda e do valor do imóvel para o programa Classe Média foram implementados somente no final de abril, mas já vemos uma adesão consistente em todo o país. Atualmente, já são mais de R$ 1 bilhão movimentados em contratos por mês, sendo que 23% dos contratos do Classe Média foram assinados por famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 13 mil reais, ou seja, uma parcela significativa que estava desassistida pelo programa.
Principal fonte de financiamento, o FGTS tem a habitaçãocomo um dos pilares no rol de ações de desenvolvimento. Foto: GOVERNO FEDERAL
O Ministério das Cidades (MCID) está atento aos desafios de produtividade e à necessidade de modernização da construção civil nacional, sempre considerando políticas de suporte à inovação, à digitalização de procedimentos e à sustentabilidade. Nesse contexto, por meio do Grupo de Trabalho da Habitação Industrializada, o Ministério tem estruturado uma agenda estratégica voltada para fortalecer a política habitacional por meio da desburocratização, inovação e fomento à industrialização das construções.
Esse diálogo é permanente e realizado em estreita articulação com outros órgãos do Governo Federal e com entidades da sociedade civil, tendo como objetivos centrais ampliar a escala e a eficiência produtiva nacional, inclusive em contextos urbanos desafiadores, de modo a fomentar uma nova era de produtividade sustentável na construção civil.♦
Agenda estratégica da pasta busca fortalecer a política habitacional por meio dedesburocratização, inovação e fomento à industrialização das construções, reforça o ministro. Foto: PREFEITURA DE ARAGUAINA
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